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Opinião da Direx: o país livre de febre aftosa com vacinação

Os responsáveis prometem área livre de febre aftosa sem vacinação para 2026. Porém, alcançado o objetivo com vacinação, as portas de importantes importadores EUA, Rússia e União Europeia (UE) novamente se abrirão para a proteína animal do país?

 

 

É evidente a «exploração» pelos governos da recente certificação de país livre da febre aftosa com vacinação conferida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), afinal, grande parte dos cargos comissionados de confiança com poder de comando e decisão no âmbito da fiscalização agropecuária pública são derivados da política partidária com a aquiescência do setor privado. Desta forma, existem sólidos vínculos da política partidária, conforme comprovaram as Operações Carne Fraca, Fugu e Trapaça, alguns dos quais nada republicanos, com uma atividade que deveria ser exclusiva de Estado, indelegável ao setor privado e funcionar com plena autonomia legal e técnica.

A imprensa, por exemplo, notícia: «Livre da febre aftosa: Brasil recebe certificação da ONU e amplia comércio com a China»; «Maggi recebe na OIE certificado do Brasil livre da aftosa com vacinação [Novos status sanitário foi entregue em Paris, durante reunião da Organização Mundial de Saúde Animal, e deve permitir a abertura de novos mercados para a carne brasileira]»; «Brasil recebe certificado de ampliação de área livre de febre aftosa com vacinação»; «Brasil livre de aftosa com vacinação encerra um ciclo, diz Maggi [Em discurso na Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), ministro afirma que país já está trabalhando para não precisar mais vacinar o rebanho]»; «Temer e Maggi comemoram certificado internacional de zona livre de febre aftosa»; «Brasil obtém reconhecimento da OIE como área livre de febre aftosa com vacinação» etc.  

Otimismos à parte, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) alerta que duas importantíssimas atividades institucionais da fiscalização agropecuária pública, ou seja, vigilância e defesa sanitária animal e a fiscalização de produtos de origem animal, vinculadas e integradas. devem operar adequadamente. Não se pode contar apenas com adequada vigilância e defesa sanitária animal como, por exemplo, a garantia de área livre de febre aftosa com —ou sem— vacinação, sem correspondente fiscalização de produtos de origem animal nos frigoríficos que garanta, além da segurança alimentar da própria população brasileira, a exportação de carne segura, saudável, não adulterada e corretamente embalada e rotulada.

O Brasil, sem o certificado de país livre de febre aftosa com vacinação, exportava significativas quantidades de proteína animal para importantes países e para o bloco europeu. Agora, com a recente certificação de área livre de febre aftosa com vacinação, deixou de exportar significativas quantidades de carne para os EUA, Rússia e União Europeia (UE). Portanto, não pode haver dessintonia entre os serviços públicos prestados em vigilância e defesa sanitária animal e inspeção de produtos de origem animal. E não se trata somente da conquista e manutenção de mercados externos, mas também o de oferecer serviços públicos adequados que atenda os aspectos socioeconômicos internos do país e segurança alimentar aos brasileiros.

Para a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), a fiscalização agropecuária pública do Brasil carece de adequado investimento governamental e de política pública de Estado (e não de governos de passagem pelo poder) que seja eficiente, permanente e de longo prazo —«sem estrutura” e fiscais nomeados «em quantidade suficiente» os responsáveis, por exemplo, atuam pela terceirização da inspeção de produtos de origem animal nos frigoríficos. Um dos problemas que impede que o país se reestruture na prestação de serviços públicos plenos e de excelência concentra-se na trágica opção do governo em turno de impor a falida doutrina neoliberal que preconiza as falácias do «estado mínimo», «desestatização», «libertismo», «monetarismo», «corte de investimento público», proposta «salvadora» de «superagência de defesa», proposta de «criação de um serviço social autônomo» —na prática trata-se de privatização branca—  contra os interesses  da fiscalização agropecuária pública etc.

O sucateamento e a privatização da fiscalização agropecuária pública impactam diretamente os fiscais agropecuários estatutários de carreira, sobretudo, os das instâncias intermediárias, que carecem de valorização profissional e justiça remuneratória.

A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) defende que a fiscalização agropecuária pública opere com autonomia legal e técnica e que deixe de ser prejudicada pela intervenção da política partidária — é preciso pôr um fim às nomeações comissionadas de confiança em todas as suas instâncias de atuação — e pela ingerência do setor privado.

A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) adverte também que é impossível conquistar e manter mercados internos e externos aos produtos da agropecuária por intermédio de «políticas de governos» manifestadas pela «fiscalização agropecuária de primeiro mundo» restrita aos sites governamentais e às suas propagandas institucionais — respaldadas e reverberadas pela imprensa corporativa —, interferência da política partidária (manifestada pelas indicações de comissionados de confiança para cargos de comando e gestão), ingerência do setor privado  —como, por exemplo, a articulação que visava impor ao Paraná a «área livre de febre aftosa sem vacinação» literalmente por «abaixo-assinado»—, falta de investimento público, sucateamento, privatizações, terceirizações, desvalorização profissional e injustiça salarial em prejuízo dos fiscais agropecuários de carreira, sessões solenes especiais para atender as necessidades da política partidária etc.

Caso o Brasil queira realmente achar o rumo certo e se livrar da sua prejudicial condição de colecionador de suspensões, embargos e bloqueios é preciso trabalhar para que exista uma fiscalização agropecuária pública plena e de excelência. Os concorrentes do Brasil não estão parados e se articulam mundo afora, existem preocupantes vulnerabilidades globais contra a exportação de proteína animal e os EUA, Rússia e União Europeia (UE) deram consistentes alertas para essa necessidade.

Os responsáveis prometem área livre de febre aftosa sem vacinação para 2026. Porém, alcançado o objetivo com vacinação, as portas de importantes importadores — EUA, Rússia e União Europeia (UE) — novamente se abrirão para a proteína animal do país?

Modificado em 29-6-2018 em 12:02

 

Matérias vinculadas:

26-10-2018 - Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) & Mapa aprova pedido do Paraná para antecipar retirada da vacinação contra aftosa [A primeira etapa que ocorrerá em maio do próximo ano, no entanto, ainda deverá ser feita em animais com até 24 meses de idade]

5-10-2018 - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) & Execução do programa de prevenção da aftosa está em dia e PR deve suspender vacina [Balanço foi feito nesta semana em Brasília. Retirada da campanha no estado deverá acontecer junto com Acre, Rondônia, parte do Amazonas e de Mato Grosso]

17-9-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: Paraná, suspensão da vacinação, área livre de febre aftosa, equipe gestora e fiscalização agropecuária pública [A "suspensão da vacinação, reconhecimento e manutenção de zona livre de febre aftosa sem vacinação" deve ser condicionada à comprovação de adequada prestação de serviço público na fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados & Opinion of Direx: Paraná, suspension of vaccination, foot-and-mouth disease free area, management team and public agricultural inspection & "Suspension of vaccination, recognize and maintenance of a foot-and-mouth disease-free zone without vaccination" must be conditional upon proof of adequate public service provision in the surveillance of the transit of animals and their products derived]

31-5-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: o país livre de febre aftosa com vacinação [Os responsáveis prometem área livre de febre aftosa sem vacinação para 2026. Porém, alcançado o objetivo com vacinação, as portas de importantes importadores EUA, Rússia e União Europeia (UE) novamente se abrirão para a proteína animal do país?]

27-3-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: as promessas não cumpridas da "área livre de febre aftosa sem vacinação" [A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) recomenda à próxima governadora do  Paraná a reavaliação dessa questão e não insista na permanência dos atuais comissionados de confiança do governo Richa vinculados às promessas não cumpridas da "área livre de febre aftosa sem vacinação" & Opinion of the Direx: the unfulfilled promise of "area free of foot-and-mouth disease without vaccination" & The Association of Inspectors of Agricultural and Livestock Defense  of Paraná (Afisa-PR) recommends that the next Governor of the State of Paraná to re-evaluate this issue, and did not insist on staying current on Government Trust commissioned shift linked to promise not fulfilled the "area free of FMD without vaccination"]

13-8-2018 - Contraponto & MPF quer transparência nos atos ambientais

11-8-2018 - Livre.Jor & MPF cobra transparência de órgãos ambientais do Paraná [A procuradoria do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná publicou recomendações cobrando transparência de dados públicos na ambientais pela internet ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), ao Instituto de Terras Cartografia e Geociência do Paraná (ITCG) e a Agência de Defesa Agropecuária (Adapar). Segundo os documentos, os órgãos têm até 120 dias para publicar uma série de documentos em seus portais, como Situação dos processos de regularização fundiária, Guia de Trânsito Animal (GTA), Licença Ambiental Única (LAU), Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), Autos de infração e Julgamentos de infrações]

1-12-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) Opinião da Direx: 'fim da vacinação: um caminho sem volta'? [O "caminho sem volta" suscitado pelo sindicato patronal poderá significar o contrário, ou seja, a volta da febre aftosa em nosso território &Opinion of the Direx: "End of vaccination: a one-way street"? & The raised "road without return" could mean the opposite, that is, the back of the foot-and-mouth disease in our country]

13-11-2017 - Governo do Paraná & Entidades aprovam que Paraná suspenda vacinação contra aftosa [Entidades como a Sociedade Rural, Sindicato Rural e Secretaria Municipal de Agricultura de Ponta Grossa manifestaram apoio integral ao movimento Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação]

4-11-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & https://www.youtube.com/watch?v=b3ajjbF-dNs&t=141s

2-11-2017 - Contraponto & Briga de boi contra touro

23-10-2017 - Gazeta do Povo & Paraná vai insistir em antecipar o fim da vacinação contra febre aftosa [Em manifesto, mais de 200 entidades ligadas ao setor agropecuário alertam que o estado não pode esperar até 2023 para ser declarado área livre da doença, ausente de seu território há mais de dez anos]

3-9-2017 - Gazeta do Povo & Argentinos irão investir R$ 30 milhões no Brasil via Curitiba [Biogénesis Bagó, que tem sede em Curitiba, investe no Brasil e na China para consolidar liderança na produção de vacinas. (...) Sobre a decisão do Paraná de encerrar as vacinações contra febre aftosa em maio do ano que vem, Bulman diz que se trata de estratégia de governo que deve ser respeitada. No entanto, o "efeito colateral" poderá ser uma diminuição do uso de outros produtos veterinários e uma piora no cuidado sanitário do rebanho. "Muitos produtores não vão mais levar os animais duas vezes por ano para o curral, não vão fechar o gado. Corremos o risco de voltar a uma realidade de 40 anos atrás, em que só se buscava o gado na hora de encaminhar para o abate", alerta Bulman]

2-7-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Paraná: área livre de febre aftosa sem vacinação; de 2014 para 2015 para 2017 para 2018... [A questão da área livre de febre aftosa sem vacinação é contaminada pela política partidária governamental]

29-6-2017 - Gazeta do Povo & Paraná vai anunciar fim da vacinação contra febre aftosa [O Paraná tem 9,3 milhões de cabeças de gado, pouco mais de 4% das 215 milhões existentes no país]

27-6-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & MP-PR investiga a fiscalização do trânsito de animais, vegetais e seus produtos derivados ["A necessidade de investigar a ADAPAR"]

11-8-2015 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Afisa-PR informa à OIE precariedade na fiscalização do trânsito de animais no Paraná [Precariedade na fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados do Paraná]

18-7-2015 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR)A verdade sobre a febre aftosa no Paraná & The true about FMD in the State of Parana, Brazil

19-5-2015 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Diagnóstico da Afisa-PR sobre o monitoramento sorológico da febre aftosa nas áreas de fronteira do Paraná [O índice de imunização dos animais provenientes das regiões fronteiriças do Paraná caiu de 81% para 57,5%, enquanto que o índice no restante do seu território aumentou de 87,3% para 88,3%] & Diagnosis of Afisa-PR about serological monitoring of foot-and-mouth disease in the border areas of Paraná & The rate of immunization of animals from the border regions of Paraná decreased from 81% to 57.5%, while the rate in the rest of the territory increased from 87.3% to 88.3%

 

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