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EUA: relatório do CEH denuncia altos níveis de glifosato em mais de 70% dos lanches à base de cereais

O agrotóxico glifosato, o ingrediente ativo do herbicida mais utilizado no mundo, é aplicado em fazendas que cultivam milho, soja, aveia e centenas de outras culturas. Desses cultivos, o agrotóxico pode fazer o seu caminho para a comida

USA: Report of the CEH denounces high levels of glyphosate in more than 70% of cereal-based snacks & The agrotoxic glyphosate, the active ingredient of the most widely used herbicide in the world, is applied in farms that cultivate maize, soybean, oats and hundreds of other crops. Of these crops, agrochemicals can make their way to food.

 

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Crédito imagem: CEH

 

A notícia Glyphosate Discovered in K-12 School Breakfast Foods Across America do Sustainable Pulse de 8 de dezembro de 2018, informa que um novo relatório do Center for Environmental Health (CEH) encontrou altos níveis do agrotóxico glifosato em mais de 70 por cento dos lanches à base de aveia normalmente servidos em escolas K-12 em todo os EUA.

O agrotóxico glifosato, o ingrediente ativo do herbicida mais utilizado no mundo, é aplicado em fazendas que cultivam milho, soja, aveia e centenas de outras culturas. Desses cultivos, o agrotóxico pode fazer o seu caminho para a comida da população, especialmente, nos cereais matinais e barras de cereais.

Em 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS), através da International Agency for Research on Cancer (IARC), identificou o glifosato como um provável carcinogênico humano e, no ano passado, o órgão estadual de proteção ambiental da Califórnia (EUA) também o classificou como uma conhecida substância química causadora de de câncer.

Segundo a notícia, o glifosato também seria um desregulador endócrinoendocrine-disrupting chemical (EDC). Os EDCs interferem nos hormônios do corpo humano e, como tais, têm sido relacionados a cânceres, diabetes, derrame e problemas reprodutivos que podem ser transmitidos às gerações futuras. Os EDCs também podem ser prejudiciais em exposições de baixo e longo prazo, o tipo de dose a que uma pessoa seria exposta ao comer alimentos contendo quantidades vestigiais de glifosato.

A Environmental Protection Agency (EPA) dos EUA estima que a exposição aos resíduos de glifosato nos alimentos consumidos pelas pessoas aumentou quatro vezes ao longo do último quarto de século, sendo as crianças as que possuem maior probabilidade de serem expostas do que os adultos. Estudos recentes de biomonitoramento detectaram esse agrotóxico nas amostras de urina de 70 a 93 por cento da população dos EUA.

As descobertas do CEH corroboram uma lista crescente de estudos recentes que demonstram a presença do agrotóxico glifosato em alimentos infantis, incluindo resultados preliminares da CEH em agosto, bem como aqueles do Environmental Working Group, Moms Across AmericaThe Detox Project/Food Democracy Now, e Food and Drug Administration (FDA).

"Proteger a saúde das crianças contra os agrotóxicos é essencial, e substâncias químicas causadoras de câncer [naturalmente] não pertencem às refeições das crianças, sejam elas servidas em casa, na escola ou em qualquer outro centro de atendimento infantil", concluiu Caroline Cox, diretora de pesquisa do Center for Environmental Health (CEH). "Os pais e as escolas não podem contar com o governo para fornecer a eles o direito de saber quais são os produtos químicos tóxicos nos alimentos que seus filhos estão comendo ou de regulá-los  adequadamente. Planejamos ajudar as escolas a encontrar maneiras de servir alternativas mais saudáveis​​" disse Cox.

 

Agrotóxico à base de glifosato: uma provável causa de linfoma não-Hodgkin

Nos EUA, "o linfoma não-Hodgkin (LNH) é um dos cânceres mais comuns nos Estados Unidos, sendo responsável por cerca de 4% de todos os cânceres".

E no Brasil, como andam as estatísticas sobre a evolução da quantidade de linfoma não-Hodgkin? Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Ministério da Saúde, "Por razões ainda desconhecidas, o número de casos duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas com mais de 60 anos".

Como será que o agrotóxico à base de glifosato se insere nessas "razões ainda desconhecidas"? A Superior Court of the State of California for the Country of San Francisco, no caso CGC-16-550128, obviamente, tem as evidências mais do suficientes.

Segundo o alerta Roundup Cancer - Non-Hodgkin Lymphoma do escritório de advocacia norte-americano Baum Hedlund aristei Goldman PC, o agrotóxico à base de glifosato, o ingrediente ativo de vários herbicidas comerciais e várias empresas, foi listado como um provável indutor do câncer chamado linfoma não-Hodgkin pela International Agency for Research on Cancer (IARC), que é o braço de pesquisa sobre o câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A classificação da IARC de 2015 para o agrotóxico glifosato teve como base científica a revisão de vários estudos sobre o seu efeito trabalhadores agrícolas e florestais desde 2001.

Segundo o alerta, "As evidências mostram que as pessoas que foram expostas ao glifosato tiveram maior incidência relatada de linfoma não-Hodgkin do que aquelas que não foram expostas ao herbicida". O relatório da IARC aponta ainda que o glifosato é atualmente usado em 750 produtos comerciais em todo o mundo, e o uso do herbicida "aumentou acentuadamente com o desenvolvimento de variedades de culturas resistentes ao glifosato geneticamente modificadas".

Modificado em 31-12-2018 em 11:49

 

Matérias vinculadas:

Baum Hedlund Aristei Goldman PC & Roundup Cancer – Non-Hodgkin Lymphoma [Glyphosate, the active ingredient in the Monsanto Roundup weed killer and other companies’ products, has been listed as a probable cause of non-Hodgkin lymphoma by the International Agency for Research on Cancer (IARC), which is the World Health Organization's cancer research arm. The 2015 IARC glyphosate classification was based on a review of multiple studies on the effects of glyphosate to agricultural and forestry workers since 2001. The evidence shows that people who were exposed to glyphosate experienced higher reported incidences of non-Hodgkin lymphoma than those who weren't exposed to the herbicide. The IARC report further points out that glyphosate is currently used in 750 products around the world, and use of the herbicide has "increased sharply with the development of genetically modified glyphosate-resistant crop varieties."]

 

 

20-12-2018 - Por trás do alimento & Paraná revoga norma que criava margem de segurança para aplicação de agrotóxicos [Na prática, medida autoriza pulverização de veneno ao lado de casas, escolas, rios e mananciais; acidente que vitimou em novembro quase cem pessoas, entre elas mais de 50 crianças, não teria nenhuma consequência pela nova regra]

 

 

8-12-2018 - Sustainable Pulse & Glyphosate Discovered in K-12 School Breakfast Foods Across America [A new report by the Center for Environmental Health (CEH) found high levels of the toxic weed killer glyphosate in over 70 percent of the oat-based breakfast foods commonly served in K-12 schools across the U.S.]

 

 

s/d - Center for Environmental Health (CEH) & Glyphosate in School Cereals [Recent testing by CEH and others have shown that pesticide residues are cropping up in everyday food products, including mainstream cereal brands. CEH tested products that schools typically feature on their breakfast menus and found that nearly 70 percent of the oat-based breakfast foods tested contain concerning levels of glyphosate]

6-12-2018 - The Guardian & The weedkiller in our food is killing us [Growing research show that glyphosate, one of the most widely used herbicides in the US, causes cancer]

28-11-2018 - Le Parisien & Taxes, emploi, gouvernance : ce que réclament les Gilets jaunes [(...) Ils sont également pour l’interdiction du glyphosate, une promesse d’Emmanuel Macron. En septembre dernier, les députés ont rejeté des amendements prévoyant de graver dans la loi agriculture et alimentation la sortie du glyphosate en 2021 (...)]

9-11-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & O relatório da ONU contra os agrotóxicos não pode ser esquecido ["Usar mais agrotóxicos não tem nada a ver com a eliminação da fome. Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), somos capazes de alimentar 9 bilhões de pessoas hoje. A produção está definitivamente aumentando, mas o problema é a pobreza, a desigualdade e a distribuição [de alimentos]". — Hilal Elver, relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação]

19-8-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: agrotóxico glifosato e o alegado "risco zero para a saúde" [Diretor da Sociedade Rural Brasileira afirma em notícia que o "glifosato tem risco zero para a saúde" das pessoas e que o Ministério Público Federal quer "transformar 'disparates' em 'verdades absolutas'"; porém, a realidade toxicológica da formulação comercial do agrotóxico à base de glifosato é outra & Opinion by Direx: agrotoxic glyphosate and the alleged "zero risk to health" & Director of the Brazilian Rural Society says in the news that "glyphosate has zero risk to people's health" and that the Federal Public Ministry wants to "in 'absolute truths' "But the toxicological reality of the commercial formulation of glyphosate-based pesticide is another]

7-3-2017 - The Guardian & UN experts denounce 'myth' pesticides are necessary to feed the world [Report warns of catastrophic consequences and blames manufacturers for 'systematic denial of harms' and 'unethical marketing tactics'.The idea that pesticides are essential to feed a fast-growing global population is a myth, according to UN food and pollution experts. A new report, being presented to the UN human rights council on Wednesday, is severely critical of the global corporations that manufacture pesticides, accusing them of the "systematic denial of harms", "aggressive, unethical marketing tactics" and heavy lobbying of governments which has “obstructed reforms and paralysed global pesticide restrictions."]