Imagem - Chickens in a supermarket. Photograph: Mood Board/Rex

 

Segurança alimentar

Reino Unido: Privatização do abate de aves traz de volta os sombrios dias de crises alimentares

 

Segundo o jornal britânico "The Guardian", o histórico evidencia que os problemas alimentares começam quando as empresas produtoras se autoinspecionam: BSE, febre aftosa, gripe suína, etc. A reportagem do "The Guardian", intitulada "Poultry deregulation plans risk bringing back dark days of food scares", de 25 de março de 2016, alerta que autoridades públicas da Grã-Bretanha planejam revogar uma série de orientações legais sobre as normas de segurança alimentar e bem-estar animal, a começar por um movimento para colocar os serviços oficiais de inspeção, através de privatização e de desregulamentação, nas mãos da indústria de abate de aves.

Para o "The Guardian", as lições do passado não foram aprendidas. A reportagem destaca que foi um fracasso total a ideia de a indústria definir, pela privatização, as suas próprias normas e regulamentos, fato que levou em 2015 ao escândalo de frango na Grã-Bretanha, quando o Food Standards Agency descobriu que quase oito (8) em cada dez (10) frangos frescos comprados de supermercados do Reino Unido estavam contaminados com a potencialmente letal intoxicação alimentar pela bactéria Campylobacter.

Segundo a reportagem do "The Guardian", mais de 240.000 pessoas por ano ficaram doentes e até 100 pessoas morreram. A história mostra que os problemas de saúde e bem-estar na indústria de alimentos começam quando os governos incentivam as empresas se auto inspecionarem. Salmonella em ovos, BSE (Encefalopatia espongiforme bovina) em bovinos, febre aftosa, gripe suína, etc. Eles se tornaram escândalos nacionais nos anos 1980 e 1990, e uma geração de crianças foram impedidas de se alimentar com carne, ante a revolta com o péssimo tratamento dos animais abatidos e do perigo potencial pelas doenças transmitidas pela carne contaminada.

Existe aversão dos britânicos pela crueldade contra os animais abatidos e isso levou os governos a elevar progressivamente os rigores em favor da saúde humana e bem-estar dos animais na indústria de produtos de origem animal no Reino Unido, mais do que em grande parte do resto da UE - União Europeia. Mas os poucos grupos de gigantes do abate de aves que dominam uma indústria, e que fornecem quase 50% de toda a carne que a população come, sempre se queixaram de que a regulamentação e o impedimento da autoinspeção implicavam em desvantagem competitiva.

A reportagem do "The Guardian" destaca que há forte demanda por carne de qualidade na Grã-Bretanha e pouca evidência de que a indústria britânica esteja perdendo dinheiro devido à regulamentação que mantém a inspeção oficial de produtos de origem animal sob a tutela do Estado.

 

Notícia vinculada

25/03/2016 - The Guardian & Poultry deregulation plans risk bringing back dark days of food scares

 

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