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The Australian: notícia aponta estado caótico da 'fiscalização' privada da carne na Austrália

"Muito tempo e esforço é desperdiçado tentando encontrar uma solução para uma situação, quando a resposta está bem debaixo do nariz – um retorno à completa fiscalização governamental" — Wenonah Hauter, diretora executiva do Food & Water Watch

 

 

Em alusão à notícia Export Quality Fears Over Meat Inspection Privatisation do The Australian de 22 de março de 2015, Wenonah Hauter, diretora executiva do Food & Water Watchsustentou na notícia News Report Points to Chaos in Australian Meat Inspections de 23 de março de 2015, que o The Australian apontou para o caótico estado do "sistema" de "fiscalização" privado da carne na Austrália depois que seu governo privatizou a fiscalização pública de produtos de origem animal.

A notícia do The Australian discorre sobre a crescente confusão sobre como a carne é fiscalizada na Austrália. Essa notícia, para Hauter, comprova mais uma vez a necessidade de os EUA revogarem seu estatuto de equivalência à carne australiana e manter pública sua fiscalização pública da carne.

Em 1999, segundo a diretora executiva do Food & Water Watch, a Austrália recebeu a bênção do U. S. Department of Agriculture (USDA) para adotar um sistema equivalente de fiscalização para as exportações de carne, copiado dos EUA e baseado no sistema de redução de patógenos Hazard Analysis and Critical Control Point Systems (HACCP)1 e Inspection Models Project (HIMP), que o USDA/FSIS preparava como "projeto piloto" aplicado em um restrito número de frigoríficos de frangos e suínos. Em decorrência, a Austrália adotou o programa similar privaticionista Australian Meat Safety Enhancement Program (MSEP). Tanto o HIMP como o MSEP retiraram os fiscais agropecuários públicos das linhas de abate dos frigoríficos e transferiram suas responsabilidades para os empregados desses frigoríficos. 

Há vários anos, os EUA não recebiam quaisquer exportações de carne bovina ou de carneiro da Austrália devido à controvérsia em ambos os países sobre o "modelo" de "fiscalização" privada da carne. 

Em 2006, segundo Hauter, a Austrália decidiu pela adoção do projeto piloto do sistema MSEP em um frigorífico de bovinos, que foi autorizado a exportar sua produção aos EUA. A Austrália renomeou o seu "modelo" de "fiscalização" privada da carne para Australian Export Meat Inspection System (AEMIS). Com base nos "resultados da fiscalização" privada em um frigorífico piloto australiano, em 2011 o USDA/FSIS reafirmou sua decisão 1999 de reconhecer o modelo privatizado de "fiscalização" da carne da Austrália.

Em 2012, a maioria dos frigoríficos de carne vermelha australianos tinham manifestado interesse na mudança para o novo sistema privatizado de "fiscalização". A União Europeia (UE), portanto, realizou uma auditoria do novo sistema "privado" de "fiscalização" da carne adotado pela Austrália. Em 2014, no entanto, a UE concluiu que a segurança alimentar e a qualidade da  carne australiana eram comprometidas pelo modelo de "fiscalização" privatizado, pois havia inerente conflito de interesses que envolvia os empregados encarregados da "inspeção" que eram remunerados pelos próprios frigoríficos para que "garantissem" a segurança alimentar, a qualidade da carne e a salubridade dos frigoríficos.

Conforme Hauter, em vez da eliminação do privaticionista AEMIS e retornar todos os frigoríficos para à fiscalização governamental, o então Department of Agriculture, Fisheries, and Forestry da Austrália inventou um novo esquema. Esse departamento decidiu reconhecer  entidades privadas como fornecedoras de empregados para a "fiscalização" dos frigoríficos e essencialmente para os serviços temporários (terceirizados) utilizados pelos frigoríficos. Essa opção trouxe novas controvérsias de como os principais frigoríficos da Austrália "fiscalizavam" seus produtos. As associações de agricultores australianos, inclusive, questionam a eficácia do sistema de "fiscalização" privado e terceirizado. 

O Food & Water Watch tem sido um grande crítico dos privaticionistas sistemas HIMP (EUA) e AEMIS (Austrália). À época da notícia divulgada pelo The Australian, o Food & Water Watch encontrava-se em meio a uma demanda legal contra o privaticionista "modelo" National Poultry Inspection System (NPIS) que o  USDA/FSIS pretende implementar e expandir com base no binômio HACCP e HIMP para todos os frigoríficos de frango dos EUA.

Em 2014, o Food & Water Watch  apresentou uma petição no USDA & Food Safety and Inspection Service (FSIS) pela revogação da determinação de equivalência de fiscalização contra o sistema AEMIS da Austrália. O Food & Water Watch descobriu que não havia nenhuma justificativa científica para a manutenção dessa equivalência devido a um crescente número de rejeições de importação de carne dos frigoríficos australianos que operavam com a "fiscalização" privada da carne. "Mais uma vez, chamamos o USDA para revogar esse grau de equivalência norte-americano para o sistema de  fiscalização privatizado da Austrália; interromper a implementação do "modelo" privaticionista New Poultry Inspection System (NPIS) para os frigoríficos de frangos nos EUA o final o projeto piloto HIMP em frigoríficos de suínos dos EUA. Também pedimos ao governo australiano para que interrompa seus esforços para privatizar um viral serviço. Muito tempo e esforço é desperdiçado tentando encontrar uma solução para uma situação, quando a resposta está bem debaixo do nariz – um retorno à completa fiscalização governamental", alertou Hauter.  

 

EUA: frigoríficos privatizados revelaram mais falhas na detecção de Salmonella na carne de frango

A notícia Privatized Inspection Plants Still Turning Out More Contaminated Chicken do Food & Water Watch de 18 de setembro de 2018 informa que os dados divulgados recentemente pelo Food Safety and Inspection Service (FSIS), vinculado ao USDA, bem como,  informações asseguradas pela Lei de Liberdade de Informação (FOIA)1, possibilitou ao grupo de defesa do consumidor Food & Water Watch revelar que os frigoríficos de abate de frango que se converteram em "modelo de inspeção privatizado", chamado nos EUA de  New Poultry Inspection System (NPIS), continuam a mostrar uma maior probabilidade de falhar no padrão de desempenho do governo para Salmonella do que as plantas que ainda usam o modelo público de inspeção agropecuária.

"Na época em que o NPIS foi proposto em 2012, as autoridades do USDA alegaram que o esquema de inspeção privatizado reduziria os níveis de patógenos em aves de criação. Parece que o oposto está acontecendo", disse Wenonah Hauter, diretora executiva da Food & Water Watch. "Alguns dos grandes participantes do processamento de [carne de] aves optaram por seguir a rota de ["inspeção" privada] desregulamentação, e parece que eles não são confiáveis para se [auto]policiarem. É hora de o FSIS parar a conversão [da privatização] de qualquer outro frigorífico, porque os próprios dados deste Serviço mostram que o NPIS não entrega alimentos mais seguros".

"Na época em que o NPIS foi proposto em 2012, as autoridades do USDA alegaram que o esquema de inspeção privatizado reduziria os níveis de patógenos em aves de criação. Parece que o oposto está acontecendo", disse Wenonah Hauter, diretora executiva da Food & Water Watch. "Alguns dos grandes participantes do processamento de [carne de] aves optaram por seguir a rota de ["inspeção" privada] desregulamentação, e parece que eles não são confiáveis para se [auto]policiarem. É hora de o FSIS parar a conversão [da privatização] de qualquer outro frigorífico, porque os próprios dados deste Serviço mostram que o NPIS não entrega alimentos mais seguros".

Os frigoríficos que adotaram o NPIS possuem menos inspetores públicos do FSIS & USDA na linha de abate, e a maioria das tarefas de inspeção é transferida para os funcionários dos próprios frigoríficos. Sob inspeção pública, pode haver até quatro inspetores do governo designados para uma linha de abate com cada um deles responsável por avaliar até 35 carcaças de aves por minuto. Sob o NPIS, há apenas um inspetor do governo designado para a linha de abate e ele é responsável por inspecionar até três aves por segundo.

Em 14 de setembro, o FSIS publicou seus mais recentes dados regulamentares de testes de Salmonella para carcaças de aves por frigorífico.  De um total de 205 plantas de frango listadas, 189 plantas tinham dados suficientes para avaliar se elas atendiam ao padrão de desempenho de Salmonella. De acordo com os dados do USDA:

1 Trinta e quatro frigoríficos falharam no padrão de desempenho de detecção de Salmonella.

1.1 Dezesseis desses frigoríficos já haviam se convertido no sistema privatizado NPIS; mais dois estavam listados para futura conversão.

1.2 Dezoito das frigoríficos que falharam no padrão de desempenho de detecção de Salmonella estavam usando o modelo tradicional de inspeção.

2. Cinquenta e cinco frigoríficos de frango haviam se convertido no sistema privatizado NPIS a partir de maio de 2018.

2.1 Quase um terço das plantas privatizadas sob NPIS (29%) falhou no padrão de desempenho de detecção de Salmonella, em oposição a 13% das 134 plantas sob inspeção pública (sem o NPIS) que falharam neste padrão.

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1 Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC)

Modificado em 8-11-2018 em 12:35

 

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18-3-2015 - Nexs Hub & Export quality fears over meat inspection privatisation [The Australian government is considering drastic changes to the way red meat destined for export is accredited as safe and free of disease by federal government-employed meat inspectors]

8-11-2013 - Food Poisoning Bulletin & EU Rejects Australian Privatized Meat Inspection System [The European Union has officially rejected Australia’s privatized meat inspection system, according to a report released of the May 2012 audit. Australia’s system, called the Australian Export Meat Inspection System (AEMIS) was implemented in September 2011. It was judged to be not in compliance with EU food safety regulations]

11-8-2013 - Food & Walter Watch & European Union Officially Rejects Australian Privatized Meat Inspection System [As the Europeans have pointed out convincingly, there is an inherent conflict of interest having company-paid inspectors perform food safety functions]

 

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