Imagem crédito: 'A Nova Democracia'

 

Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET)

'Agro é pop': cultivando desinformação e elogiando a escravidão

A campanha "Agro é pop" tenta mascarar real situação do campo

 

A Rede Globo segue exibindo nos intervalos de sua programação a campanha publicitária “Agro é Pop, Agro é Tech, Agro é Tudo”, que busca criar uma imagem positiva e moderna do latifúndio, mascarando a real situação do campo e fazendo apologias à semifeudalidade, à semicolonialidade e até à escravidão. Na edição nº 181 de AND já havia sido abordado como essa campanha exaltava a condição semicolonial do país.

Apologia à escravidão

A cana-de-açúcar foi temática de um polêmico vídeo da campanha “Agro é Pop”, no qual a Rede Globo faz apologia ao trabalho escravo.

Na pílula de menos de um minuto temos o seguinte trecho: “Cana é agro. Desde o Brasil colonial a cana ajuda a movimentar a nossa economia. Hoje em dia a cana gera um dos maiores faturamentos do campo: R$ 52 bilhões”. E termina o vídeo: “Um sucesso brasileiro há 500 anos”.

O elogio ao trabalho escravo também se encontra na seleção de uma imagem do século XIX utilizada no vídeo, intitulada “Um Engenho de Açúcar”, que retrata o trabalho de escravos em um engenho. A pintura encontra-se no livro “Viagens ao Brasil”, publicado em 1816 pelo pintor de origem inglesa Henry Koster (1793-1820). Koster, que chegou ao Brasil em 1812, se alocou em Pernambuco, onde tornou-se latifundiário e senhor de escravos. Koster também foi autor de um livro publicado em 1816 com um título que expressa a ideologia de sua classe social: “Como melhorar a escravidão”.

Plantando desinformação...

A campanha “Agro é pop” faz parte de uma ofensiva ideológica do latifúndio, por meio do monopólio da imprensa, com o intuito de construir uma imagem perante ao povo de que o latifúndio é “a indústria riqueza do Brasil”, de que é o latifúndio que “desenvolve” o país. Nesse cenário, se opor ao latifúndio é “colocar-se contra o crescimento econômico e o desenvolvimento da Nação”.

Um traço comum a todos os vídeos exibidos na TV é o trabalho minucioso de ocultar certas informações fundamentais para entender realmente o que é o latifúndio (agronegócio), buscando enfatizar a sua aparência produtiva e moderna.

No mencionado vídeo sobre a cana-de-açúcar, temos um exemplo dessa campanha de desinformação. A propaganda diz que “nas lavouras e usinas, mais de um milhão de pessoas estão empregadas por causa da produção de cana”. Mas silencia-se intencionalmente sobre as condições e relações de trabalho que se desenvolvem nessas lavouras e usinas.

Planejadamente a campanha oculta informações sobre como são produzidas as mercadorias que chegam às nossas mesas. A própria dinâmica capitalista tende a ocultar dos consumidores o conhecimento sobre a cadeia produtiva – cada vez mais complexa – das mercadorias. O tom branco do nosso açúcar oculta muitas vezes o tom vermelho do sangue vertido dos trabalhadores e trabalhadoras dos canaviais e usinas.

Segundo dados do Ministério do Trabalho, 22% dos mais de 52 mil trabalhadores resgatados do “trabalho análogo à escravidão” no país entre 1995 e 2016 atuavam no setor sucroalcooleiro.

No vídeo que aborda a geração de empregos pelo agronegócio temos um malabarismo conceitual para demonstrar o quão empregador esse setor é dentro da economia do país.

Segundo a propaganda, o “agronegócio brasileiro emprega 19 milhões de pessoas”, o que representaria “20% do total de empregos no país”, sendo que o “setor do agronegócio que mais emprega é o da agricultura familiar, com 11,5 milhões de trabalhadores”. Ou seja, para demonstrar que o agronegócio é um grande gerador de empregos eles incluem a agricultura camponesa, chamada de “agricultura familiar”, como parte integrante do agronegócio.

Em resumo, o latifúndio tradicional e de nova roupagem (agronegócio) que concentra em suas mãos mais da metade das terras rurais do país e conta com uma série de benefícios fiscais do velho Estado, gera menos emprego que a agricultura camponesa. Além disso, o latifúndio é menos produtivo que a agricultura camponesa se levarmos em conta a quantidade e o tamanho das terras utilizadas e as condições adversas de produção, circulação e comercialização das mercadorias enfrentadas pelos camponeses no país. São estes e não o latifúndio os principais responsáveis por abastecer grande parte de nosso mercado interno.

... e colhendo dividendos

Cabe relembrar que a Rede Globo é muito bem remunerada para realizar esse serviço de desinformação, já que a campanha “Agro é Pop” tem como um dos seus principais financiadores a JBS. A mesma JBS envolvida em comercialização de mercadorias estragadas e em grandes escândalos de corrupção, que envolvem até os gerentes de turno do velho Estado, vide Michel Temer.

Fonte: Nova Democracia

<<<<<Continue a ler na AEPET>>>>>