Crédito imagem: The Guardian & Nick Ansell/PA

 

Segundo o jornal britânico The Guardian em reportagem intitulada “M&S, Aldi and Lidl suspend buying from chicken plant that fiddles kill dates”, grandes redes de supermercados suspenderam a compra de carne de frango do maior fornecedor do país, após uma investigação da Guardian e da ITV News, que encontrou evidências de que procedimentos de segurança alimentar foram adulterados.

A investigação conjunta, que envolveu a realização de gravações secretas durante um período de 12 dias úteis dentro da planta de abate do maior fornecedor do país, evidenciou que:

a)  Lotes de carne de frango devolvidos pelos supermercados eram reembalados e reenviados novamente para serem comercializados aos consumidores;

b) Partes de carne de franco caídas no chão do frigorífico eram devolvidas pelos trabalhadores à linha de produção;

c) Os trabalhadores alteravam o registro dos locais onde os frangos foram abatidos, fraude que dificulta o rastreamento em caso de necessidade de se retirar lotes de carne contaminados que já estão à disposição dos consumidores e

d) Na linha de produção os trabalhadores misturavam as carnes dos frangos que foram abatidos em diferentes datas - os trabalhadores alegaram que as [de validade] datas "mais recentes" impressas nos rótulos induzem os consumidores a supor que "a carne é mais fresca”.

No Brasil e nos estados de SC, PR, RS e ES

No Brasil existe uma frente organizada em defesa da privatização da fiscalização agropecuária estatal formada por determinadas autoridades, determinados parlamentares, certas lideranças ruralistas e setores privados.

Traduzindo os anseios dessa frente, tramita na Câmara o projeto de lei nº 334/2015; no Senado o projeto de lei do Senado nº 326/2016 e vigem "legislações" estaduais privatizantes (bem benefício do setor privado) em ofensa à Constituição e à legislação mandatária superior (Decreto nº 5.741/2006), além de interferirem negativamente na segurança alimentar da população.

Governos de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo já privatizaram parte ou a totalidade das suas respectivas inspeções de produtos de origem animal, os chamados Sistemas de Inspeção Estadual (SIEs) ou seja, em tais estados os fiscais estatais nomeados por concurso público foram afastados das planas frigoríficas e substituídos por empregados remunerados pelos próprios frigoríficos para que "executem" a autofiscalização privada. 

Em ambiente de autofiscalização privada como fica a segurança alimentar das populações de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo?

 

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Última modificação: 03/10/2017 - 15:48