Opinião da Direx: A promessa não cumprida da “área livre de febre aftosa sem vacinação”

Afisa-PR

Opinião da Direx: A promessa não cumprida da “área livre de febre aftosa sem vacinação”

A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) recomenda que a próxima governadora do Estado do Paraná reavalie essa questão, e não insista na permanência dos atuais comissionados de confiança do governo em turno ligados à promessa não cumprida da “área livre de febre aftosa sem vacinação”

 

 

O trio governamental em turno, há mais de sete anos no poder, ou seja, o governador, o secretário da agricultura e o presidente da autarquia de defesa agropecuária — todos apoiados pelo sindicalismo ruralista patronal1 — até hoje não cumpriu a promessa da “área livre de febre aftosa sem vacinação”.

A última propaganda governamental que se conhece alega, sem apresentar qualquer documento oficial comprobatório, que [o governo estadual] “Estamos solicitando que (sic) reconhecimento de Estado livre de febre aftosa sem vacinação seja concedido ao Paraná em 2019”. Essa promessa, portanto, foi transferida para 2019!

A matéria “Paraná: Área livre de febre aftosa sem vacinação: De 2014 para 2015 para 2017 para 2018... & A questão da área livre de febre aftosa sem vacinação é contaminada pela política partidária governamental” de 2-7-2017 da Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), comprova que, desde 2012, houve uma profusão de propagandas governamentais — e até do sindicalismo ruralista patronal — vinculada à promessa, nunca cumprida, da “área livre de febre aftosa sem vacinação”.

Aliás, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) questiona: funciona a contento o “sistema”  de fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados em todas as regiões fronteiriças do Estado do Paraná com Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo, exigência imprescindível à conquista e à manutenção da área livre de febre aftosa sem vacinação? Infelizmente, parece que não, visto que esse “sistema” atualmente é objeto de investigação do Inquérito Civil nº MPPR-0046.15.044039-7 instaurado pelo Ministério Público do Estado do Paraná (MP-PR).

A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) recomenda que a próxima governadora do Estado do Paraná reavalie essa questão, e não insista na permanência dos atuais comissionados de confiança do governo em turno ligados à promessa não cumprida da “área livre de febre aftosa sem vacinação”.   

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1 Que articulou uma espécie de abaixo-assinado com a intenção de “antecipar o fim da vacinação contra febre aftosa” no Estado do Paraná.

Atualizado em 9-5-2018 em 1613

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Agrotóxico paraquate: The Intercept Brasil denuncia “66 dias de lobby”

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Agrotóxico paraquate: The Intercept Brasil denuncia “66 dias de lobby”

“A própria Anvisa mudou o seu parecer em fins de novembro, autorizando o uso do composto até 2020. Além disso, a agência suavizou textos que devem ser exibidos no rótulo do agrotóxico” (The Intercept Brasil

 

 

A reportagem “66 dias de lobby: uma máquina de pressão fez a Anvisa voltar atrás e liberar um perigoso agrotóxico” (por Rafael Moro Martins) publicada em 26-3-2018 pelo The Intercept Brasil, denuncia o lobby patrocinado pelos “fabricantes e vendedores” pela “liberação” do agrotóxico à base do ingrediente ativo paraquate.

O agrotóxico paraquate (nome do ingrediente ativo) pertence à classe toxicológica I — extremamente tóxico —, tem índice monográfico autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), registro no Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAPA) e cadastro na Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). 

O agrotóxico paraquate foi  produzido pela primeira vez, “com propósitos comerciais pela Sinon Corporation, em 1961 para a [Imperial Chemical Industries] ICI, (atualmente pela Syngenta)” e é atualmente um dos “mais  usados”. Em uso há 56 anos, sua toxicologia — toxicodinâmicatoxicocinética — para os seres humanos é amplamente conhecida. A Public Eye da Suíça, antes mesmo do início da reavaliação toxicológica do paraquate pela Anvisa, divulgou o relatório “Paraquat/Unacceptable health risks for users” (january 06/Rev. 1) e seus resultados sumarizados são reveladores.

A intoxicação pelo agrotóxico paraquate é “geralmente voluntária e altamente letal”. Sua toxicidade “ocorre mediante reações cíclicas de oxidação/redução, lesando principalmente rins e pulmões”. A letalidade muito alta do agrotóxico paraquate “se deve à toxicidade inerente e à falta de tratamentos eficazes” e não há antídoto eficaz disponível contra a intoxicação pela via oral — Ocorre que a Lei 7.802 de 1989, em seu art. 3º, § 6º, b, proíbe o registro de agrotóxicos “para os quais não haja antídoto ou tratamento eficaz no Brasil”. 

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Agrotóxicos: Tribunal federal norte-americano quer ver a prova

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Agrotóxicos: Tribunal federal norte-americano quer ver a prova

Multinacional diz que seu agrotóxico "é seguro"... Agora, um tribunal federal norte-americano quer ver a prova

 

 

Segundo reportagem “Monsanto says its pesticides are safe. Now, a court wants to see the proof” (por Carey Gillam) de 5-3-2018 do jornal britânico The Guardian, o agrotóxico mais comercializado e usado do planeta, associado ao câncer, está presente na água, nos alimentos e até mesmo nos nossos próprios fluídos corporais.

Em 2015, a Organização Mundial da Saúde considerou esse agrotóxico como provável carcinógeno humano, uma descoberta que provocou uma enxurrada de ações judiciais contra a multinacional responsável.

A multinacional sustenta que os “estudos da indústria” demonstram que o agrotóxico “é seguro quando usado adequadamente”.

O assunto é sério. Segundo a reportagem do The Guardian em questão, um em cada dois homens e uma em cada três mulheres desenvolverão câncer em suas vidas. Os cânceres infantis aumentam: nas crianças, a exposição aos agrotóxicos não se resume aos cânceres pediátricos, mas também à diminuição da função cognitiva e problemas comportamentais. Em adultos, os agrotóxicos estão ligados aos cânceres linfoma não Hodgkin, leucemia, de cérebro, de próstata etc.

Mais de três mil pessoas processam a multinacional responsável, nos quais alegam que a exposição ao agrotóxico campeão mundial de comércio e uso fez com que eles ou seus familiares desenvolvessem o câncer chamado linfoma não Hodgkin.

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O endêmico uso de agrotóxicos como ameaça à água potável

Afisa-PR

O endêmico uso de agrotóxicos como ameaça à água potável

“O Brasil precisa adotar um sistema de monitoramento eficaz de água potável para garantir que seu abastecimento seja devidamente testado contra agrotóxicos e que os resultados sejam disponibilizados ao público”

 

Crédito imagem: DW

 

O artigo “Brasileiros não sabem se tem agrotóxicos na água que bebem” (por Richard Pearshouse e João Guilherme Bieber) publicado em 23-3-2018 pelo El País, denuncia que “o sistema nacional de monitoramento de água potável é vergonhosamente inadequado para detectar a ameaça de substâncias nocivas”, ou seja, de agrotóxicos e seus metabólitos

O artigo alerta que o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos no mundo: “Culturas como a de soja, de milho, de algodão e de cana-de-açúcar são cultivadas com enormes quantidades de agrotóxicos: cerca de 400 mil toneladas por ano. Dos 10 agrotóxicos mais utilizados no Brasil, 4 são proibidos na Europa, indicando quão prejudiciais são considerados para alguns padrões”.

O artigo alerta que “alguns países testam regularmente o abastecimento de água potável para verificar a presença de agrotóxicos e disponibilizam os resultados para a população. No Brasil, na prática, isso não ocorre. Fizemos um pedido com base na lei de acesso à informação para obter os resultados dos testes nacionais de resíduos de agrotóxicos na água potável realizados entre 2014 a 2017. Descobrimos que, apesar das obrigações legais, sistemas de abastecimento de água raramente são testados”.

Em decorrência, os autores do artigo em questão chegaram concluem que o “sistema brasileiro de monitoramento de água potável é vergonhosamente inadequado para detectar a ameaça de perigosos agrotóxicos”.

Segundo a artigo, os agrotóxicos organoclorados (aldrin, dieldrina, clordano e endrina), que tiveram sua comercialização, uso e  distribuição proibidos1 em meados da década de 80, são comumente detectados na água que se bebe, pois “são tão persistentes que aparecem na água potável mesmo depois de décadas” de banimento. Os agrotóxicos organoclorados até hoje é caso de saúde pública.

A reportagem informa que “em 2016, pesquisadores publicaram o primeiro levantamento nacional brasileiro de contaminantes emergentes na água potável. Depois de cafeína – substância que indica a existência de esgoto não tratado –, o segundo contaminante mais comumente encontrado na água foi o herbicida atrazina, presente em 75% das amostras de todo o país.”

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Indústria da carne de frango dos EUA, já contemplada com “autofiscalização” privada, quer mais

Afisa-PR

Indústria da carne de frango dos EUA, já contemplada com “autofiscalização” privada, quer mais

Indústria da carne de frango dos EUA, não contente com a “autofiscalização” privada, agora pressiona o U. S. Department of Agriculture (USDA) pelo aumento da velocidade nas suas linhas de produção – É o que denuncia o Food & Water Watch

 

Crédito imagem: https://www.oxfamamerica.org/livesontheline/

 

É o que revela a notícia “Trump Releases Proposed Rule for Privatized Inspection Scheme in Hog Plants” (Today the Trump administration released a proposed rule to privatize food safety inspection in hog slaughter plants) de 19-1-2018 do Food & Water Watch.

Para a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) o “modelo”, uma espécie de HIMP piorado - pois os projetos de lei em trâmite sequer preconizam previamente testar a “autofiscalização” privada da carne em alguns frigoríficos piloto -, que está em aprovação na Câmara e no Senado, revela semelhante modus operandi.  Para a Afisa-PR, no Brasil a “autofiscalização” privada da carne será como atirar no próprio pé, pois a potencialização da insegurança alimentar acabará por abalar a  própria indústria da carne – já fustigada por sucessivos escândalos alimentares (materializados pelas operações policiais Carne FracaFugu e Trapaça). 

Segundo a Food & Water Watch, a administração Trump recém-divulgou uma proposta para privatizar a fiscalização governamental realizada nos frigoríficos de carne suína - ou seja, a própria segurança alimentar dos norte-americanos -, substituindo-a pela “autofiscalização” privada – que no Brasil eufemisticamente é chamada de “modernização” da “inspeção” da carne pela sua “autorregulação”.

A “força motriz” por trás dessa privatização, objetivo do USDA, é o de reduzir o número de fiscais agropecuários nos frigoríficos e, pasmem, o aumento das velocidades nas linhas de produção de carne – ocorrência que prejudicará a inspeção sanitária da carne processada.

De acordo com os advogados da Food & Water Watch, este “modelo” de privatização colocará em risco a segurança dos trabalhadores (dos frigoríficos e dos próprios fiscais agropecuários), o bem-estar dos animais e a segurança alimentar dos norte-americanos.

Para Wenonah Hauter, diretora executiva da Food & Walter Watch, “é irresponsabilidade do USDA” expandir um modelo de “inspeção” privada - que é previamente testado em alguns frigoríficos piloto (HACCP-Based Inspection Models Project - HIMP) -, medida que prejudicará a segurança alimentar dos norte-americanos, ainda mais que os frigoríficos piloto não mostraram “claramente (...) que as empresas que se auto inspecionam” são capazes de produzir produtos de origem animal seguros para o consumo.

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