Na OMC, Brasil pede o fim do bloqueio da carne: UE irredutível, exige garantias

Afisa-PR

Na OMC, Brasil pede o fim do bloqueio da carne: UE irredutível, exige garantias

A UE proibiu a importação de carne de 20 frigoríficos brasileiros de carne de frango e bovina em abril deste ano, após uma auditoria sobre o sistema de fiscalização de produtos de origem animal

At the WTO, Brazil asks the end to the blockade of the meat: irreducible EU, requires guarantees &  The EU prohibited the importation of meat from 20 Brazilian poultry and beef slaughterhouses in April this year, after an audit of the chicken and beef meat inspection system

 

 

Segundo a notícia Brazil calls for end to European Union’s poultry restrictions (por Joe Whitworth) da Food Safety News de 25 de julho de 2018, durante uma reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), o Brasil voltou a contestar o bloqueio da União Europeia (UE) contra a carne de frango. O Brasil também questionou as restrições impostas pelo Panamá e pela Rússia.

As restrições afetam exportadores brasileiros de carne de frango, de coelho, de carne picada, preparados de carne e carne separada mecanicamente; todos os frigoríficos e empresas exportadoras de carne de cavalo foram retirados da lista de estabelecimentos elegíveis para exportação à UE. A UE proibiu a importação de carne de 20 frigoríficos brasileiros de carne de frango e bovina em abril deste ano, após uma auditoria sobre o sistema de fiscalização da produção de carne de frango e bovina. Uma auditoria de acompanhamento deste ano, recentemente publicada por autoridades da UE, segundo a Food Safety News, encontrou progressos, mas "algumas áreas ainda precisavam de mais atenção".

A polícia investigou setores da indústria da carne em 2017 e alegou que alguns fiscais agropecuários haviam sido subornados para que a carne fosse produzida e comercializada sem adequadas condições higiênico-sanitárias.

As importações da UE de carne de frango do Brasil somaram 110.763 toneladas de janeiro a maio deste ano, o que representou 34,4% das importações; houve um declínio de 42%, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Na reunião da OMC, o Brasil pediu à UE que retirasse sua medida restritiva, pois alegou que "elas não são baseadas na ciência e fazem parte da percepção da UE de que certas empresas exportadoras não são confiáveis ​​para cumprir as exigências sanitárias quanto à presença de patógenos". A UE rebateu essa alegação a justificar que a sua decisão tem base científica e leva em conta o risco de contaminação cruzada ao lidar com carne de aves além do seu comportamento de consumo. "O fato de que o Brasil, presumivelmente, a fim de lucrar com uma tarifa mais baixa, decidiu adicionar sal à carne fresca de aves destinados à exportação para a UE, não justifica por que a UE deva agora mudar sua legislação [que é] baseada na ciência, e que está em consonância com os acordos internacionais", afirmaram as autoridades da UE. 

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O Brasil é considerado um país-chave no mercado mundial de carne

Afisa-PR

O Brasil é considerado um país-chave no mercado mundial de carne

Porém, o Brasil, ao invés de se preparar para se fixar cada vez mais e de se  manter com sucesso no mercado global de carne, optou por “colecionar” de suspensões, embargos e bloqueios

Brazil is considered one of main in the world meat market & However, Brazil, instead of preparing to become more established and successful in the global meat market, chose to be a "collector" of suspensions, embargoes and blockades

 

Crédito imagem: AgriLand

 

A notícia Latest Gira report profiles world meat trends for the next decade (por Richard Halleron) da AgriLand de 22 de julho de 2018, informa que a Northern Ireland’s Livestock and Meat Commission (LMC) — comissão de pecuária e cCarnes da Irlanda do Norte — adquiriu o último Long Term Meat Strategy Report  — estratégia da carne de longo prazo —, produzido pelo renovado centro de consultoria e pesquisa de alimentos GIRA Foodsevice. Esse relatório condensa quatro principais relatórios nacionais que envolvem a China, EUA, União Europeia e Brasil além de 26 perfis de países.

A notícia da AgriLand, com base no relatório da GIRA Foodservice, informa:

a)      A produção de carne bovina e ovina está projetada para cair na Europa (a expectativa é pela compensação do crescimento do consumo gerado por uma “crescente população” [Na Europa? (ndAfisa-PR)];

b)      O crescimento do consumo de carne será amplificado fora da Europa e ocorrerá os mercados asiáticos através do muito significativo aumento populacional;

c)      Há uma “mudança dramática” que implica em “novos fatores de não mercado”, como ecologia, bem-estar animal, saúde e obesidade, vegetarianismo e substituição do consumo de carne, geopolítica e nacionalismo além de genética e alimentação [E a carne de laboratório? [NdAfisa-PR)] — todos esses fatores afetarão a cadeia da carne;

d)      A China é o maior importador de carne do mundo, com cerca de 6,6 milhões de toneladas, que representa 20% do total do comércio mundial nos quatro principais tipos de carne;

e)      A demanda por carne continuará a crescer, especialmente na Ásia, onde os preços são altos e as importações crescem;

f)       O mercado da carne enfrentará uma severa “verificação da realidade” que inclui fatores críticos como segurança alimentar questões de saúde animal, crises políticas e mudanças nas demandas da sociedade e

g)      Forças novas e em rápido crescimento no suprimento mundial de carne, incluindo a potencial que é o Brasil, impulsionaram mudanças fundamentais no mercado mundial de carne.

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EUA: primeira carne produzida em laboratório poderá chegar ao mercado consumidor em três anos

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EUA: primeira carne produzida em laboratório poderá chegar ao mercado consumidor em três anos

Pesquisa entre consumidores norte-americanos aponta que a maioria quer que a carne de laboratório seja claramente rotulada

 

Crédito imagem: https://gizmodo.com

 

Segundo a notícia Public overwhelmingly favors term ‘lab-grown’ over ‘clean’ meat do Food Safety News de 16 de julho de 2018, O Consumer Reports, publicado pelo Consumers Union (Sindicato dos Consumidores) sem fins lucrativos com 7 milhões de membros, informou na semana passada os resultados de uma pesquisa, mostrando que o público espera que a carne produzida em laboratório, a partir do cultivo de células animais, seja claramente rotulada. Os resultados mostram que o público não é favorável à linguagem daqueles que impulsionam esse novo produto.

“Por uma margem esmagadora, nossa pesquisa descobriu que os consumidores querem rótulos claros que identifiquem a carne produzida em laboratório a partir do cultivo de células animais”, disse o Dr. Michael Hansen, cientista sênior da Consumers Union, divisão de defesa do Consumer Reports.

“Os reguladores federais devem garantir que esses emergentes produtos alimentares sejam claramente rotulados para que os consumidores possam fazer escolhas informadas para suas famílias e facilmente distingui-los da carne convencional”.

A pesquisa por telefone da Consumer Reports descobriu que 49 por cento disseram que a nova carne deveria ser rotulada como “carne, mas acompanhada de uma explicação sobre como é produzida”, enquanto outros 40 por cento disseram que ela deveria ser rotulada como “algo diferente de carne”. Apenas cinco por cento acharam que deveria ser rotulado como carne “sem mais explicações”.

Essa nova tecnologia, que foi tema de um fórum da U. S. Food & Drug Administration (FDA) em 12 de julho, envolve a captura de células animais (apropriado para fins alimentícios) e a obtenção delas para se diferenciarem em um meio de crescimento adequado que contém vitaminas, lipídios, aminoácidos e hormônios de crescimento, incluindo fetos de bezerros.

Durante seu depoimento na reunião da FDA, Hansen observou que as cubas nas quais são cultivadas a carne de laboratório contêm células animais em uma grande solução nutritiva, que pode ser contaminada com bactérias causadoras de doenças, vírus, fungos e micoplasmas.

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Opinião da Direx: a perda do significativo mercado de carne da Rússia

Afisa-PR

Opinião da Direx: a perda do significativo mercado de carne da Rússia

Caso ractopamina: o Brasil respondia por 90% da carne suína importada pela Rússia! Hoje, corresponde a 0%! E os responsáveis?

 

Crédito imagem: GlobalMeat News

 

O preço cobrado é salgado quando não se faz opção por uma fiscalização agropecuária pública autônoma, real, plena e de excelência.  Não há solução para esse tipo de problema enquanto uma atividade exclusiva e típica de Estado e que deveria contar com autonomia legal e técnica é prejudicada pela interferência da política partidária —  materializada pelas nomeações de comissionados de confiança —  e pela ingerência da iniciativa privada (apud Operação Carne Fraca).

No começo de 2018, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), não obstante o lado embargado tivesse manifestado o contrário, acertou em opinar que a Rússia não levantaria as sanções à carne brasileira, afinal, "o Rosselkhoznadzor não é uma agência comercial ou uma estrutura política".

A notícia Russia's meat imports continue to shrink (por Vladislav Vorotnikov) da GlobalMeat News de 19 de julho de 2018, afirma que durante o primeiro semestre de 2018, a Rússia importou 203,5 mil toneladas de carne, o que revelou uma queda de quase 70% em comparação com o mesmo período de 2017, informou o Federal Customs Service (FCS) em seu site em 15 de julho de 2018.

As importações de carne suína caíram mais de quatro vezes, para 36.3 mil toneladas, de 147.7 mil para a Rússia durante o primeiro semestre de 2017, estimou o FCS. Enquanto isso, as importações de carne de frango caíram para 52.800t, de 52.600t no ano anterior, enquanto as importações de carne bovina reduziram ligeiramente para 134.400t, de 156.600t no primeiro semestre de 2017, informou a FCS.

A queda nas importações de carne do Brasil pela Rússia é principalmente associada à proibição estabelecida em novembro de 2017 pelo Rosselkhoznadzor. O Brasil exportava uma média de 22 mil toneladas de carne suína e 12 mil de carne bovina por mês para o mercado russo, segundo estimativas do Russian State Statistics Service (Rosstat).

Segundo o Rosstat, antes da proibição do Rosselkhoznadzor o Brasil respondia por 90% da carne suína que era importada pela Rússia.

 

Rússia não planeja cancelar a suspensão das importações brasileiras por "escassez de dados"

A notícia Empresário agrícola russo: 'Mercado brasileiro é grande, mas não é chave' do Sputnik de 11 de setembro de 2018, informa que a Rússia "continua fechada para as importações do país devido ao uso fragmentado de ractapamina nas rações". Conforme o Sputnik anteriormente informou, "as entidades russas, inclusive o Rosselkhoznadzor, por enquanto não planejam cancelar a suspensão das importações brasileiras por escassez de dados".

Segundo essa notícia, "Nos primeiros seis meses desse ano a Rússia virou país exportador líquido de carne suína. Ou seja, a produção continua aumentando e, acredito, a partir de algum tempo o fator das importações deixará de estar em questão", disse o diretor-geral do grupo de empresas agrícolas russas Rosagro, Maksim Basov, "ao falar sobre possível retomada das importações brasileiras.

A Afisa-PR, não obstante as notícias Rússia se comprometeria a avaliar rapidamente a reabertura ao mercado a carne do Brasil do Sputnik de 18 de janeiro de 2018 e Brasil poderia retomar exportação de carne suína para a Rússia no fim do mês de agosto do Sputnik de 8 de agosto de 2018, em 16 de janeiro de 2018 tinha manifestado o contrário na Opinião da Direx: Rússia não levantará sanções a carne brasileira! — alerta com base na notícia Rússia não levantará sanções a carne brasileira do Russia Beyond de 21 de dezembro de 2017.

A Afisa-PR, na matéria Rússia tem alternativas viáveis para substituir a carne brasileira de 22 de novembro de 2017, também alertou que a Rússia tinha alternativas viáveis para substituir a importação de carne do Brasil, fato que agora corroborado por Maksim Basov.

 

Exportação de carne: Rússia libera 9 frigoríficos

Segundo a notícia Rússia retira embargo a carne suína e bovina do Brasil do Sputnik de 31 de outubro de 2018, "O Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia (Rosselkhoznadzor) avaliou as medidas tomadas pelo lado brasileiro quanto à eliminação das violações identificadas quanto ao uso de ractopamina na alimentação do gado, além de resultados dos estudos laboratoriais de produtos fabricados por empresas nacionais" e "A carne brasileira foi embargada no mercado russo desde novembro de 2017 pelo uso de ractopamina, substância proibida em alimentos na Rússia. Com a queda da restrição, o Brasil poderá voltar a exportar para o país a partir de amanhã, 1 de novembro".

Não é a primeira vez que a Rússia suspende e depois libera a importação de carne brasileira por motivos de segurança alimentar. Em 2013, o governo do primeiro-ministro Dmitri Medvedev já havia embargado a carne oriunda de três estados brasileiros por causa da mesma contaminação com o hormônio de crescimento ractopamina.

Modificado em 31-10-2018 em 18:12

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Opinião da Direx: Brasil destacado como parte em declínio que integra a indústria avícola mundial

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Opinião da Direx: Brasil destacado como parte em declínio que integra a indústria avícola mundial

Somente com a adoção, em todas as instâncias de execução previstas pelo Decreto 5.741/2006,  de uma fiscalização agropecuária pública real, autônoma, plena e de excelência, tem o poder de impedir que países embargantes das commodities agrícolas façam uso de "não adequações" como "motivo legal e técnico" para aplicarem suspensões, embargos e bloqueios. Afinal: a quem interessa enfraquecer a fiscalização agropecuária pública?

Opinion of the Direx: Brazil seconded as part in the poultry industry decline & Only with  adoption, in all instances institutionalized by Decree 5.741, agricultural and public oversight of excellence, will have the power to prevent the countries use the current inadequacies as a technical/legal irrefutable for suspensions, embargoes and blocks. After all, who cares to weaken the agricultural supervision?

 

 

A indústria avícola do Brasil em declínio! Como impedir o aprofundamento desse declínio? Somente com a adoção de uma fiscalização agropecuária pública real, autônoma, plena e de excelência —  para tanto, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR)  sugere medidas corretivas — como estratégia de ação e objetivo técnico/político para reverter esse contexto de franco declínio. Porém, isso não será possível com o status quo que é introduzido (nomeações de comissionados com deveres de confiança e lealdade) na fiscalização agropecuária pública por indicação da política partidária e da iniciativa privada.

Segundo as notícias Rabobank results: poultry industry set for global turmoil (por Ashley Williams) do Global Meat News de 28 de junho de 2018 e Rabobank: Global poultry trade volatility to continue & Several factors have led to major movements in trade streams and prices (por Krissa Welshans) da Feedstuffs de 18 de junho de 2018, o Brasil é destacado como parte em declínio que integra a indústria avícola mundial em declínio. Para Nan-Dirk Mulder, analista sênior de proteína animal do RaboResearch, o comércio avícola global é "altamente volátil" e espera que a "turbulência" continue até o 2º semestre de 2018.

Entre seus diversos destaques, Mulder relata que as exportações brasileiras de carne de frango devem cair 10% e a produção 3%, como "resultado de vários fatores", tais como a proibição da União Europeia (UE) que proíbe a exportação por parte de 20 frigoríficos — 8 do Estado do Paraná — devido às "violações dos requisitos de importação" vinculados ao "controle de salmonelas".

Para Mulder, esse bloqueio "afetou fortemente o mercado global" de carne de frango, pois a UE é o principal importador desta commodity.

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