“Autofiscalização” privada: Fiscais agropecuários da carne do USDA & FSIS fazem graves denúncias

Afisa-PR

“Autofiscalização” privada: Fiscais agropecuários da carne do USDA & FSIS fazem graves denúncias

Trata-se do programa governamental preconizado pelo United States Department of Agriculture (USDA) chamado HIMP - HACCP-Based Inspection Models Project que atualmente é testado em alguns frigoríficos piloto, antes de ser adotado como “regra” e expandido para todos os demais frigoríficos norte-americanos — no Brasil, lamentavelmente, certos gestores públicos e certos congressistas intencionam seu “HIMP” piorado!

 

 

Crédito imagem: Food Integrity Campaign

 

Food Integrity Campaign lançou uma campanha contra o programa de “autofiscalização” privada  da carne suína a que chama de Trump’s Pork Rule (em tradução livre “regra de suíno de Trump”)1, na qual  pede para que os consumidores norte-americanos de produtos à base de carne suína não tomarem apenas suas críticas sobre a terrível ideia dessa “autofiscalização” privada da carne que, como agravante, preconiza também o aumento da velocidade nas linhas de produção dos frigoríficos piloto testados nos EUA.

Trata-se do programa governamental preconizado pelo United States Department of Agriculture (USDA) chamado HIMP - HACCP-Based Inspection Models Project2,3 que atualmente é testado em alguns frigoríficos piloto, antes de ser adotado como “regra” e expandido para todos os demais frigoríficos norte-americanos. 

Com o propósito de conferir ainda mais credibilidade às graves denúncias que faz, a Food Integrity Campaign disponibilizou algumas denúncias reais relatadas pelos próprios fiscais agropecuários da carne do United States Department of Agriculture & Food Safety and Inspection Service (FSIS).

Confiram as denúncias disponibilizadas pela Food Integrity Campaign (tradução livre):

Leia mais:“Autofiscalização” privada: Fiscais agropecuários da carne do USDA & FSIS fazem graves denúncias

EUA: Privatização da inspeção do abate de aves intensificará o uso de produtos químicos

Afisa-PR

EUA: Privatização da inspeção do abate de aves intensificará o uso de produtos químicos

[Em Qual é o problema da inspeção da carne?] “Nos EUA, conforme o Food & Water Watch, em vez de diminuir o ritmo da produção para garantir o fornecimento de carne segura e saudável, a indústria apela para produtos químicos para tentar desinfetar bactérias como a Salmonella  e esterilizar as fezes que ainda podem estar na carne processada.” (Food & Water Watch)

E no Brasil querem impor, via os projetos de lei 334 e 326, o HIMP” piorado em prejuízo da fiscalização agropecuária promovida pelo Poder Público

 
 
 

A Food Integrity Campaign alerta para as consequências da privatização da inspeção do abate de aves, visto que o U. S. Department of Agriculture (USDA) atua para impor um plano de “modernização [trata-se da chocante e privatizante Chicken Rule (regra do frango)] da inspeção do abate de aves nos EUA, que acelerará as linhas de processamento e, consequentemente, “confiará” no uso intensivo de produtos químicos para controlar a proliferação de patógenos na carne que é produzida.

Os fiscais agropecuários dos EUA relatam que, de acordo com a nova regra privaticionista proposta pelo governo, a carne contaminada de ave provavelmente receberá um tratamento de coquetel químico (chemical cocktail treatment) em vez de ser condenada ou removida para limpeza. A utilização intensiva de produtos químicos no processamento da carne fará com que os trabalhadores dos frigoríficos fiquem mais expostos. Os problemas de saúde para os fiscais agropecuários do USDA e para os trabalhadores que atuam nas linhas de produção dos frigoríficos, certamente aumentarão de forma exponencial, caso o novo sistema de “inspeção” privada da produção de carne de aves seja implementado em todo os EUA.

Dezenas de fiscais agropecuários federais relataram à Food Integrity Campaign os inúmeros problemas que diagnosticaram no plano privaticionista proposto pelo governo dos EUA - à época do governo Obama chamado New Poultry Inspection System para o abate de aves - incluindo a fiscal agropecuária federal aposentada e denunciante Phyllis McKelvey

Com 44 anos de experiência no setor de abate de aves, incluindo um trabalho em uma das primeiras plantas piloto que testa a “funcionalidade” do programa piloto de “autofiscalização” em alta velocidade (pilot high-speed poultry inspection program), Phyllis testemunhou em primeira mão os danos criados pelo novo "sistema de inspeção" testado pelo USDA.  

Leia mais:EUA: Privatização da inspeção do abate de aves intensificará o uso de produtos químicos

No Reino Unido mais da metade dos frigoríficos apresentam violações de higiene e segurança alimentar

Afisa-PR

No Reino Unido mais da metade dos frigoríficos apresentam violações de higiene e segurança alimentar

A dimensão dos problemas que envolvem a segurança alimentar e a higiene em grande parte dos frigoríficos processadores de carne do Reino Unido é revelada por uma nova análise, que mostra que mais de metade de todos os frigoríficos auditados tiveram nos últimos três anos pelo menos uma violação “importante” em segurança alimentar

 

Crédito imagem: The Guardian

 

[Tradução livre] O jornal britânico The Guardian, em mais uma exemplar reportagem (infelizmente, não vemos isso com a regularidade esperada por parte da “imprensa” brasileira) intitulada Fear of meat scandal as data shows hygiene breaches at over half UK plants (por Andrew Wasley) sobre insegurança alimentar, informa que a dimensão dos problemas que envolvem a segurança alimentar e a higiene em grande parte dos frigoríficos processadores de carne do Reino Unido é revelada por uma nova análise, que mostra que mais de metade de todos os frigoríficos auditados tiveram nos últimos três anos pelo menos uma violação “importante” em segurança alimentar.

Os números da fiscalização governamental efetuada pela Food Standards Agency (FSA) revelam que em todas as semanas entre 2014-2017 houve em média 16 grandes infrações contra a segurança alimentar da população, de acordo com uma análise de dados realizada [na terceira semana de fevereiro] pelo jornal The Guardian e pelo Bureau of Investigative Journalism.

Quase dois terços dos frigoríficos de corte de carne (540 de 890) auditados na Inglaterra, no País de Gales e na Irlanda do Norte, apresentaram pelo menos um caso de não cumprimento de normas de higiene ou de segurança alimentar. Vários frigoríficos tiveram múltiplas falhas, com 25 violações ocorrendo em plantas de abate de animais pertencentes a Russell Hume, o fornecedor de carne que está no centro de recentes preocupações sobre a higiene alimentar no Reino Unido. A Escócia tem um órgão governamental regulador (Food Standards Scotland - FSS) de inspeção de produtos de origem animal separado da FSA.

Leia mais:No Reino Unido mais da metade dos frigoríficos apresentam violações de higiene e segurança alimentar

Opinião da Direx: Desmascarada a “autofiscalização” privada da carne

Afisa-PR

Opinião da Direx: Desmascarada a “autofiscalização” privada da carne 

Mais uma aterradora descoberta da Polícia Federal, ou seja, a prática de adulteração criminosa de testes laboratoriais para burlar a legislação como prática de “política” de “segurança alimentar” em detrimento da saúde da população

 

 

A Polícia Federal, na notícia PF deflagra 3ª fase da Operação Carne Fraca informa que “As investigações demonstraram que cinco laboratórios credenciados junto ao MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – e setores de análises de determinado grupo empresarial fraudavam resultados de exames em amostras de seu processo industrial, informando ao Serviço de Inspeção Federal (SIF/MAPA) dados fictícios em laudos e planilhas técnicos”. Ainda mais: “(...) Os investigadores identificaram, ainda, que a prática das fraudes contava com a anuência de executivos do grupo empresarial, bem como de seu corpo técnico, além de profissionais responsáveis pelo controle de qualidade dos produtos da própria empresa. Também foram constatadas manobras extrajudiciais, operadas pelos executivos do grupo, com o fim de acobertar a prática desses ilícitos ao longo das investigações. (...)”

Trata-se de mais uma aterradora descoberta da Polícia Federal, ou seja, a prática de adulteração criminosa de testes laboratoriais para burlar a legislação como  prática de “política” de “segurança alimentar” em detrimento da saúde da população. 

Certamente, a inconstitucional e ilegal “autofiscalização” privada, com a anuência de uma fiscalização governamental “superficial” - light touch -,“modelo” que as autoridades governamentais pró-mercado acreditam ser “adequado” para a indústria da carne. Como agravante, convive-se com enormes carências derivadas do austerícidio neoliberal – ausência de investimento em serviço público - em curso no Brasil, situação que evidentemente prejudica a segurança alimentar da população.

Diante de tanto descalabro em detrimento da fiscalização agropecuária pública, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) reforça seus alertas contra o “estado mínimo” neoliberal privatizante: a “autofiscalização” privada, defendida por certos comissionados de confiança com cargos de decisão, certos parlamentares, certas entidades e lideranças ruralistas e com o apoio do setor privado, sofismada como “autorregulação”, potencializará a corrupção, as operações policiais, as fraudes, a insegurança alimentar, as suspensões, os embargos, os relatórios de auditorias criticamente adversos e a perda do que resta de mercado importador da proteína animal produzida no país. 

Diante dos gravíssimos escândalos alimentares que impactam os aspectos socioeconômicos do país, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) propõe que a fiscalização agropecuária, atividade reconhecida como típica de Estado, que atua com Poder de Polícia Administrativa, eminentemente legal/técnica e constitucionalmente não delegável à iniciativa privada, seja contemplada com:

 

1º Efetiva autonomia legal e técnica;

2º Proteção contra as interferências da política partidária e as ingerências do setor privado e das entidades e lideranças do ruralismo patronal – via o fim das nomeações de comissionados com deveres de confiança e lealdade para cargos de comando e gestão, alguns deles estranhos às carreiras de fiscais agropecuários públicos;

3º Não aprovação das prejudiciais intenções privaticionistas em curso materializadas pelos projetos de leis 334 e 326, os quais claramente violam normas constitucionais e legais que regem a fiscalização agropecuária pública, que em gravíssimo prejuízo ao interesse público e à segurança alimentar da população, almejam atender o setor privado (único beneficiário) e tentar “legalizar” as privatizações já consumadas em detrimento de parte ou da totalidade dos Sistemas de Inspeção de Produtos (SIEs) dos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo; 

4º Políticas públicas de Estado (não de governos que transitam o poder) , eficientes, permanentes e de longo prazo;

5º Adequado investimento público;

6º Gestão pública que impeça as práticas de corrupção constatadas pelas operações policiais Carne FracaFugu e Trapaça e

7º Políticas públicas capazes de garantir valorização profissional com justiça remuneratória em favor dos fiscais agropecuários públicos das instâncias intermediárias para que estas formem quadros qualificados estáveis e permanentes.

Sem as medidas corretivas necessárias, certas autoridades e certos parlamentares vinculados aos projetos privaticionistas, continuarão a colecionar escândalos alimentares, suspensõesembargosrelatórios de auditoria negativos, críticas e operações policiais.

A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) questiona: 

Leia mais:Opinião da Direx: Desmascarada a “autofiscalização” privada da carne

Governo britânico promete exigir câmeras de televisão em todos os frigoríficos

Afisa-PR

Governo britânico promete exigir câmeras de televisão em todos os frigoríficos

Desde a investigação secreta promovida pelo jornal The Guardian e da ITV que revelaram práticas de insegurança alimentar, o governo britânico promete exigir a instalação de CCTVs (câmeras de televisão em circuito fechado) em todos os frigoríficos de corte de carne da Grã-Bretanha

 

Crédito imagem: The Guardian (Processing plant at 2 Sisters, Flixton Bungay, Suffolk. Photograph: Sean Smith for the Guardian)

 

[Tradução livre] A reportagem do jornal The Guardian UK launches nationwide review of meat processing plants (por Simon Goodley) revela que as autoridades governamentais responsáveis pela fiscalização da segurança alimentar da população do Reino Unido sofrem pressões para que promovam uma reavaliação nacional de todos os frigoríficos de corte de carne, devido aos graves incidentes que envolveram insegurança alimentar detectados nas indústrias 2 Sisters Food Group e Russell Hume.

O anúncio da reavaliação nacional ocorreu dias após a Food Standards Agency (FSA) do Reino Único ter sido criticada por um comitê de deputados por não terem uma “ação definitiva” para melhorar os padrões de segurança alimentar dos britânicos, após uma investigação secreta ter sido feita no interior dos frigoríficos pelo The Guardian e ITV no ano passado.

O incidente de insegurança alimentar levou a indústria 2 Sisters Food Group, o maior fornecedor de carne de frango aos supermercados britânicos, a fechar o seu frigorífico em West Bromwich durante cinco semanas “para que seus empregados fossem reciclados”. 

No mês [janeiro de 2018] passado, a cadeia de restaurantes italianos de Jamie Oliver e os pubs de Wetherspoon estavam entre as empresas envolvidas em um escândalo de recall de carne fornecida pelo frigorífico Russell Hume, quando os fiscais agropecuários da Food Standards Agency (FSA) disseram ter encontrado “séria inconformidade com os regulamentos de higiene alimentar” na ocasião da fiscalização surpresa às instalações desse frigorífico de Birmingham em 12 de janeiro passado. A produção de carne foi suspensa nas plantas frigoríficas da Russell Hume.

Segundo a notícia do The Guardian, em uma declaração conjunta de Heather Hancock e Ross Finnie, respectivamente, responsáveis pela Food Standards Agency (FSA) e pela Food Standards Scotland (FSS), os responsáveis pela fiscalização governamental afirmaram: “Nos últimos seis meses, a FSA e o FSS enfrentaram dois graves incidentes envolvendo importantes atores no setor de carne. Corretamente, as pessoas esperam que as empresas de alimentos cumpram as regras destinadas a manter os consumidores seguros e a confiança pública nos alimentos - e as empresas de alimentos têm o dever de seguir os regulamentos”. Ainda, “À luz desses recentes incidentes, a FSA e o FSS farão o exame das reavaliações dos frigoríficos de corte de carne (...). Mais detalhes serão publicados no final deste [fevereiro de 2018] mês e os resultados estarão totalmente disponíveis para o público”.

Leia mais:Governo britânico promete exigir câmeras de televisão em todos os frigoríficos