Concorrência estrangeira da carne do Brasil: a ICMSA e a «oportunidade perfeita»

Afisa-PR

Concorrência estrangeira da carne do Brasil: a ICMSA e a «oportunidade perfeita»

A «oportunidade perfeita» criada pelo Conselho de Relações Exteriores da União Europeia (UE) capaz de impedir a facilitação do ingresso da carne sul-americana pelo acordo Mercosul & UE

 

Crédito imagem: Reuters/Bruno Kelly

 

De acordo com a notícia Dáil has 'perfect opportunity' to halt Mercosur deal: ICMSA (por Reuters/Bruno Kelly) do Independent de 31 de maio de 2018, um lobby intensivo da Irish Creamey Milk Supplier Association (ICMSA) da Irlanda sobre os membros do Dáil Éireann visa a suspensão da ratificação de qualquer acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul que aumente o acesso da carne bovina da América do Sul aos mercados europeus.

Na semana passada o Conselho de Relações Exteriores da União Europeia (UE) — EU Foreign Affairs Council — confirmou que seus Estados membros terão que aprovar individualmente qualquer proposta de acordo com o Mercosul por meio de seu próprio processo de ratificação nacional.

Esse movimento deu à Irlanda «uma oportunidade perfeita» para impedir «um desenvolvimento potencialmente catastrófico para o setor irlandês de carne bovina», afirmou o líder do ICMSA, Pat McCormack.

McCormack afirmou que é improvável que um único representante no Dáil irlandês, que entenda alguma coisa sobre a natureza e os desafios existentes às [nossas] exportações de bilhões de euros de carne bovina, apoie um acordo destinado a facilitar a importação de enormes quantidades de carne bovina da América do Sul, produzida com «padrões de segurança alimentar mais baixos» e a «partir de um sistema ambientalmente destrutivo».

McCormack disse ainda que a carne bovina importada da América do Sul seria, sem dúvida, vendida nos mercados europeus a preços projetados para minar as exportações irlandesas de carne bovina que são «produzidas de forma sustentável sob o sistema regulatório mais rigoroso do mundo» e que no caso de «um  acordo do Mercosul ser colocado no Oireachtas, a ICMSA entrará em contato com cada partido político, agrupamento e [Teachta Dála] DT individual para explicar por que o interesse nacional, a segurança alimentar e a lógica ambiental ditam que qualquer acordo com o Mercosul proposto, que envolva a importação de carne bovina da América do Sul, deve ser totalmente rejeitado».

 

Concorrência da carne: responsáveis na Irlanda preparam um grande plano de integridade e segurança alimentar para o bem da saúde pública

Enquanto os responsáveis na Irlanda se envolvem com uma estratégia que visa reforçar a integridade e segurança alimentar para o bem da saúde pública, obviamente, com os dois olhos voltados à conquista do vistoso mercado de carne oferecido pela União Europeia (UE) etc., os daqui, que se apresentam como "parceiros" da inciativa privada e da política partidária, atuam para inconstitucionalmente e ilegalmente (PL 334/2015 e PLS 326/2016privatizar a fiscalização agropecuária pública. Não é sem motivo, diante da fragilização da sua fiscalização agropecuária pública, que o Brasil começou a colecionar bloqueios, embargos, suspensões e proibições contra a proteína animal. E não faltam sugestões adequadas no Brasil para aperfeiçoar e modernizar a fiscalização agropecuária pública de produtos de origem animal.

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Opinião da Direx: o país livre de febre aftosa com vacinação

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Opinião da Direx: o país livre de febre aftosa com vacinação

Os responsáveis prometem área livre de febre aftosa sem vacinação para 2026. Porém, alcançado o objetivo com vacinação, as portas de importantes importadores EUA, Rússia e União Europeia (UE) novamente se abrirão para a proteína animal do país?

 

 

É evidente a «exploração» pelos governos da recente certificação de país livre da febre aftosa com vacinação conferida pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), afinal, grande parte dos cargos comissionados de confiança com poder de comando e decisão no âmbito da fiscalização agropecuária pública são derivados da política partidária com a aquiescência do setor privado. Desta forma, existem sólidos vínculos da política partidária, conforme comprovaram as Operações Carne Fraca, Fugu e Trapaça, alguns dos quais nada republicanos, com uma atividade que deveria ser exclusiva de Estado, indelegável ao setor privado e funcionar com plena autonomia legal e técnica.

A imprensa, por exemplo, notícia: «Livre da febre aftosa: Brasil recebe certificação da ONU e amplia comércio com a China»; «Maggi recebe na OIE certificado do Brasil livre da aftosa com vacinação [Novos status sanitário foi entregue em Paris, durante reunião da Organização Mundial de Saúde Animal, e deve permitir a abertura de novos mercados para a carne brasileira]»; «Brasil recebe certificado de ampliação de área livre de febre aftosa com vacinação»; «Brasil livre de aftosa com vacinação encerra um ciclo, diz Maggi [Em discurso na Organização Internacional de Saúde Animal (OIE), ministro afirma que país já está trabalhando para não precisar mais vacinar o rebanho]»; «Temer e Maggi comemoram certificado internacional de zona livre de febre aftosa»; «Brasil obtém reconhecimento da OIE como área livre de febre aftosa com vacinação» etc.  

Otimismos à parte, a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) alerta que duas importantíssimas atividades institucionais da fiscalização agropecuária pública, ou seja, vigilância e defesa sanitária animal e a fiscalização de produtos de origem animal, vinculadas e integradas. devem operar adequadamente. Não se pode contar apenas com adequada vigilância e defesa sanitária animal como, por exemplo, a garantia de área livre de febre aftosa com —ou sem— vacinação, sem correspondente fiscalização de produtos de origem animal nos frigoríficos que garanta, além da segurança alimentar da própria população brasileira, a exportação de carne segura, saudável, não adulterada e corretamente embalada e rotulada.

O Brasil, sem o certificado de país livre de febre aftosa com vacinação, exportava significativas quantidades de proteína animal para importantes países e para o bloco europeu. Agora, com a recente certificação de área livre de febre aftosa com vacinação, deixou de exportar significativas quantidades de carne para os EUA, Rússia e União Europeia (UE). Portanto, não pode haver dessintonia entre os serviços públicos prestados em vigilância e defesa sanitária animal e inspeção de produtos de origem animal. E não se trata somente da conquista e manutenção de mercados externos, mas também o de oferecer serviços públicos adequados que atenda os aspectos socioeconômicos internos do país e segurança alimentar aos brasileiros.

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United States Cattlemen's Association (USCA) mostra disposição para impedir que os EUA voltem a importar carne bovina do Brasil

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United States Cattlemen's Association (USCA) mostra disposição para impedir que os EUA voltem a importar carne bovina do Brasil

A USCA prometeu continuar a pressionar a Administração e o Congresso norte-americanos para manter a proibição da carne brasileira. A única saída para o Brasil: trabalhar por uma fiscalização agropecuária pública — e não privatizada ou terceirizada — plena e de excelência

United States Cattlemen's Association (USCA) shows willingness to prevent the US from reimporting beef from Brazil & USCA promised to continue to press the U.S. administration and Congress to maintain the ban on Brazilian meat. The only way out to Brazil: To work for a public agricultural oversight — and not privatized or outsourced — full and of excellence

 

 Crédito imagem: USCA

 

A United States Cattlemen's Association (USCA), Associação dos Pecuaristas dos Estados Unidos, mostra disposição para impedir que os EUA voltem a importar carne bovina do Brasi. A USCA afirma que “continua empenhada em manter fora dos EUA a carne bovina do Brasil” e pede que seus filiados acompanhem suas iniciativas que visam “manter fora dos EUA a carne bovina do Brasil”.

No final de junho do ano passado, o United States Department of Agriculture (USDA) determinou a suspensão de todas as importações de carne bovina in natura do Brasil devido suas “preocupações recorrentes sobre a segurança da carne destinada ao mercado americano”, e definiu que a suspensão dos embarques “permanecerá em vigor até que o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas corretivas” que considerar satisfatórias. Esta suspensão foi definida quase que imediatamente após o fim da auditoria de verificação de equivalência — Final Report of an Audit Conducted in Brazil  — sobre os serviços de inspeção de origem animal prestados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) & Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) & Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), cujos resultados não foram completamente favoráveis para o Brasil. À época da suspensão norte-americana, o presidente da USCA, Kenny Graner, que tem fazendas em Dakota do Norte, disse em entrevista a uma rádio local que as inconformidades do Brasil tinham sido a “preocupação de seu grupo desde o início das importações de carne bovina no Brasil”; a proibição deveria permanecer em vigor “até que o Brasil possa garantir que sua carne seja segura e livre de febre aftosa ou de quaisquer outras doenças” e que o “Brasil teve problemas contínuos com a febre aftosa e ainda não provou que pode controlá-la”. As preocupações dos pecuaristas norte-americanos, evidentemente, transcendem a segurança alimentar e permeiam questões de vigilância de defesa sanitária animal.

Em alusão aos fatos de que no início desde ano “as autoridades brasileiras esperavam retomar as exportações de carne bovina in natura” para os Estados Unidos e de que “nenhum anúncio foi divulgado pelo USDA sobre o levantamento da suspensão”, em outra entrevista a uma rádio local,  o presidente da USCA disse que “os brasileiros estão apenas blefando” (“the Brazilians are just blowing smoke”); que “não foram capazes de provar que eles não conseguiram corrigir os problemas sanitários e de inspeção e  que o Brasil precisa melhorar seus métodos de rastreabilidade de doenças nos animais antes de os EUA reconsiderarem a possibilidade de importar a carne brasileira” (“before the U.S. should even look at possibly taking their beef”) e que seu “grupo continuará pressionando a Administração e o Congresso para manter a proibição da carne bovina brasileira”.

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Nova Zelândia dá exemplo de intervenção pública em vigilância de defesa sanitária animal

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Nova Zelândia dá exemplo de intervenção pública em vigilância de defesa sanitária animal

E no Brasil? Operações policiais e infeliz coleção de suspensão, restrição e bloqueio! Até quando a ineficiência estabelecida pela política partidária e pelo setor privado contra o serviço público será «premiada»?

 

Crédito imagem: Independent & FarmIreland

 

Segundo a reportagem «New Zealand to cull 120,000 cows and spend €522m in bid to eradicate cattle disease» (por Charlotte Greenfield) de 28 de maio do Independent da Irlanda, a Nova Zelândia, maior exportadora produtos lácteos do mundo, gastará mais de 880 milhões de libras esterlinas (522 milhões de euros) numa tentativa de erradicar a doença do gado bovino Mycoplasma bovis, afirmou segunda-feira sua primeira-ministra Jacinda Ardern.

A doença, que é comum em muitos países, foi detectada pela primeira vez na Nova Zelândia em uma fazenda na South Island em julho passado e cerca de 37 propriedades testaram positivo para a doença.

«A decisão de hoje de erradicar é impulsionada pelo desejo do governo de proteger o rebanho nacional da doença e proteger a base da nossa economia — o setor agrícola», disse Ardern em um comunicado oficial.

O Mycoplasma bovis pode levar a condições como infecção do úbere, pneumonia e artrite em bovinos afetados, mas não representa um risco de segurança alimentar ou qualquer risco à saúde dos seres humanos.

O surto inicial levou a preocupações de que a doença poderia afetar o acesso ao mercado de produtos lácteos da Nova Zelândia, e causou uma breve queda no dólar da Nova Zelândia.

O governo contribuiria com cerca de NZ$ 591 milhões para o programa de erradicação, enquanto o restante seria suportado por entidades do setor e agricultores, disse Ardern. A maior parte do trabalho aconteceria nos próximos dois anos.

O setor de laticínios da Nova Zelândia contribui com cerca de US$ 7,8 bilhões anualmente para o produto interno bruto do país e responde por cerca de um quinto das exportações do país.

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Exportação de carne aos EUA: USDA/FSIS realizou uma auditoria de equivalência no Brasil

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Exportação de carne aos EUA: USDA/FSIS realizou uma auditoria de equivalência no Brasil

O relatório Final Report of an Audit Conducted in Brazil descreve a auditoria de verificação de equivalência feita em meados de 2017 pelo USDA & FSIS no Brasil: seu objetivo foi determinar se o sistema de inspeção de carne brasileiro equivale ao norte-americano, com capacidade de exportar carne segura, saudável, não adulterada e corretamente embalada e rotulada. O resultado da auditoria não foi completamente favorável. O Brasil voltará a exportar carne fresca para os EUA?

Export of meat to the USA: USDA/FSIS conducted an accomplished audit in Brazil & The Final report of an audit conducted in Brazil describes the equivalency verification audit accomplished in mid-2017 by USDA & FSIS in Brazil: Its goal was to determine whether the Brazilian meat inspection system is equivalent to the American, with ability to export safe, healthy, unadulterated and properly packaged and labelled meat. The result of the audit was not completely favorable. Will Brazil re-export fresh meat to the USA?

 

Crédito imagem: MarketWatch

 

Entre os dias 15 de maio a 2 de junho do ano passado, o U. S. Department of Agriculture (USDA) & Food Safety and Inspection Service (FSIS) efetuou uma auditoria1 de verificação de equivalência sobre os serviços de inspeção de origem animal prestados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) & Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) & Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA).

A auditoria norte-americana produziu o relatório de auditoria Final Report of an Audit Conducted in Brazil que à época investigou — disponível aqui sua tradução livre para o português — se o sistema oficial de inspeção de carne do Brasil continuava equivalente ao dos EUA e auferiu a capacidade brasileira de exportar produtos à base de carne que sejam seguros, saudáveis, não adulterados e corretamente embalados e rotulados.

No final de junho do ano passado, quando o USDA determinou a suspensão de todas as importações de carne bovina in natura do Brasil devido às “preocupações recorrentes sobre a segurança da carne destinada ao mercado americano”, cuja suspensão dos embarques, segundo os americanos, “permanecerá em vigor até que o Ministério da Agricultura do Brasil tome medidas corretivas que o USDA considere satisfatórias”. Em decorrência desse relatório de auditoria, o Brasil levou um novo golpe contra sua exportação de carne bovina fresca.

À época dessa auditoria, segundo o FSIS, o Brasil era autorizado para exportar carnes cruas processadas, prontas para consumo (ready-to-eat, RTE), não prontas para consumo (not ready-to-eat, NRTE) e processadas ​​termicamente, comercialmente estéreis (thermally processed, commercially sterile, TPCS) e produtos cozidos (RTE) aos EUA.

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