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Rússia não levantará sanções a carne brasileira

"Serviço fitossanitário russo nunca comercializaria a saúde dos cidadãos russos", diz porta-voz do Rosselkhoznadzor

Por Dmítri Golub

 

 

Serviço Federal de Controle Veterinário e Fitosanitário (Rosselkhoznadzor) nega que a autorização para exportar trigo ao Brasil tenha sido moeda de troca para importação de carne do país.

Neste ano, devido a problemas na colheita, o Brasil terá que comprar mais de 7 milhões de toneladas de trigo. Assim, a decisão das autoridades de diminuir as restrições sobre as importações da Rússia parece compreensível.

No entanto, especialistas do setor têm afirmado que a principal razão para a recente autorização de fornecimento de trigo russo ao mercado brasileiro é receber concessões recíprocas para a exportação de carne brasileira para a Rússia, já que o produto também foi recentemente embargado.

O Brasil autorizou a importação de trigo russo logo após a Rússia proibir completamente a importação de carne brasileira justificando a ação devido a recorrentes detecções do hormônio ractopamina, que é proibido no país.

"Na verdade, a autorização para exportar trigo russo ao Brasil é condicional. A instrução normativa que revisa o regulamento de importação de trigo da Rússia inclui muitas restrições”, disse ao jornal Rossiyskaya Gazeta o diretor do centro analítico SovEcon, Andrêi Sizov.

"É pouco provável que Moscou inicie os fornecimentos. A razão é simples: o Brasil está muito longe dos nossos portos, e, devido aos custos de transporte, os produtos russos serão muito mais caros. Além disso, a Argentina que está próxima, está pronta a cobrir o déficit de grãos”, disse.

Segundo o diretor da Associação Nacional de Carne da Rússia, Serguêi Iuchin, a Rússia não tem urgência em resolver o conflito com os brasileiros porque a saída do Brasil do mercado de carne russo quase não afetou os consumidores.

"O Brasil teve uma participação significativa no mercado de carne russo. Mas, após a introdução do embargo, o volumes de vendas e os preços não mudaram", disse Iúchin ao jornal Rossiyskaya Gazeta.

"Outros produtores, como, por exemplo, o Paraguai, substituíram o Brasil no mercado russo sem demora. No início, os fabricantes paraguaios tentaram aumentar os preços da carne bovina em cerca de 10% a 15%. Mas eles não conseguiram”, disse.

Segundo ele, o mercado mundial de carne é muito competitivo. Uruguai, Colômbia, Índia, México e outros países também estão interessados no mercado russo.

O Serviço Federal de Controle Veterinário e Fitosanitário (Rosselkhoznadzor) confirma que a autorização para fornecer trigo ao Brasil não ajudará a levantar o embargo sobre a carne brasileira na Rússia.

"O mais importante é que os brasileiros autorizem o fornecimento do trigo russo infectado com objetos de quarentena, inclusive as ervas daninhas, mas os fabricantes serão obrigados a pagar pelo processamento especial (fumigação) do produto, que não corresponde às normas brasileiras", explica a porta-voz oficial da agência, Iúlia Melano.

"A permissão da parte brasileira não tem nada a ver com o embargo russo. O Rosselkhoznadzor não é uma agência comercial ou uma estrutura política. Assim, o levantamento do embargo sobre a carne brasileira será possível apenas caso nossos parceiros comerciais consigam garantir o fornecimento de produtos excepcionalmente seguros, sem hormônios de crescimento. O serviço nunca comercializaria a saúde dos cidadãos russos", disse.

 

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