Afisa-PR

A verdade sobre a febre aftosa no Paraná

The true about FMD in the State of Parana, Brazil

 

 

Nos próximos meses, o governo solicitará na OIE - Organização Mundial de Saúde Animal a condição de território livre de febre aftosa sem vacinação. Para a Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR), no curto e médio prazo, o estado não reúne as condições para essa condição, pelos motivos que se seguem:

1º) Os serviços de defesa agropecuária do estado são prejudicados pela crônica falta de servidores, especialmente, de assistentes de fiscalização. Como agravante, os subsídios iniciais nas duas carreiras envolvidas são injustos, e impedem a formação de quadro de pessoal adequado e permanente. Essa adversidade foi comprovada na recente nomeação de servidores: dos sessenta e três (63) servidores com formação em medicina veterinária, apenas quarenta e oito (48) tomaram posse no último 22 de junho. A defasagem de servidores é ainda mais grave com relação aos assistentes de fiscalização, visto que menos de 50% dos nomeados compareceram para tomar posse;

Desta forma, várias das chamadas unidades locais de sanidade agropecuária do estado não possuem servidores em número suficiente para atender os serviços de vigilância e defesa sanitária animal. Muitas destas unidades contam com funcionários cedidos por prefeituras e pela secretaria estadual da agricultura e do abastecimento. O uso desses funcionários é um dos artifícios que o governo se vale para tentar minimizar a crônica falta de servidores de carreira para atender a defesa agropecuária do estado;

2º) As divisas interestaduais e internacionais do estado permanecem desprotegidas, pois não há postos fixos de fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados. Os postos fixos de fiscalização existentes não possuem adequada estrutura e operam com número insuficiente de servidores;

3º) A falta de servidores somada à precariedade da fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados torna caótica, por exemplo, a questão da febre aftosa no estado;

As características epidemiológicas da febre aftosa são agravantes. É altamente contagiosa e causada por um Aphtovirus da família picornaviridae que se propaga com facilidade e com rapidez. Assim sendo, sem eficiente suporte à fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados, o rebanho bovino e bubalino do estado está em condição de vulnerabilidade. O ingresso de um único animal contaminado poderá causar um desastre sanitário sem precedentes com severo prejuízo socioeconômicos ao estado; 

4º) Não é raro que servidores tomem conhecimento da importação de animais de outros estados através dos próprios produtores. Portanto, bovinos ingressam no estado sem fiscalização da vigilância e de defesa sanitária animal. Caso algum desses animais apresente sinais clínicos de febre aftosa (ou outra doença de notificação oficial), decorridos dois (2) ou três (3) dias do ingresso, grande parte do rebanho do estado já estará em risco, visto que muitos animais já teriam sido expostos à contaminação ou fômites contaminados, portanto, o desastre sanitário, que envolveria milhares de bovinos, suínos e bubalinos, seria apenas uma questão de tempo;

5º) O estado não conta com confiável sistema de dados cadastrais sobre produtores e quantidade de animais existentes. Muitas explorações pecuárias de bovinos e de bubalinos não são cadastradas. Além do mais, os animais cadastrados não são identificados individualmente (brincados) pelo serviço de vigilância e defesa sanitária animal. A identificação individual desses animais é indispensável para a condição de área livre de febre aftosa sem vacinação (junto à OIE). Na última campanha de vacinação contra a febre aftosa no estado, em diversos municípios, vários documentos que comprovaram a vacinação não foram cadastrados (lançados) no sistema oficial de controle, simplesmente porque os produtores não estavam previamente cadastrados;

6º) Em vários municípios do estado, o índice de comprovação de vacinação contra a febre aftosa não atingiu 85% (e índices menores ainda acometem áreas de assentamentos rurais ou de regiões fronteiriças). Quando não se consegue imunizar 100% do rebanho, não se consegue garantir a condição de área livre de febre aftosa sem vacinação;

7º) A baixa cobertura vacinal verificada em campanhas anteriores contra a febre aftosa, que afeta os municípios fronteiriços do estado como  Barracão, Santo Antônio do Sudoeste, Foz do Iguaçu e Guaíra, é explicada pela falta de servidores. A defasagem de pessoal implicou no deslocamento de servidores de outras regiões do estado (desfalcando-as em plena campanha de vacinação da febre aftosa);

8º) Os serviços de vigilância e defesa sanitária animal do estado operam com escassez de materiais básicos, como luvas descartáveis, caixas de isopor, frascos para colheitas de amostras (para atendimento de caso suspeito ou efetivo foco de doença vesicular), etc. Não existem meios adequados ou empresas credenciadas para fazer as colheitas e descartes dos resíduos de materiais de risco retirados de animais suspeitos de portarem doenças infectocontagiosas de controle oficial, como a febre aftosa ou estomatite vesicular. Essa situação é grave, pois o lixo com resíduos biológicos contaminados são descartados inadequadamente (até mesmo possível fonte de propagação exponencial de doenças como a febre aftosa, estomatite vesicular e outras zoonoses prejudiciais à saúde humana, como a raiva dos herbívoros);

9º) Apenas 30% das explorações pecuárias do estado são georreferenciadas. Esta baixa porcentagem, na hipótese de foco de febre aftosa, dificulta as ações para seu controle e erradicação. É necessário o georreferenciamento de 100% das explorações pecuárias, para conferir eficiência e rapidez ao atendimento de suspeita ou foco de doença vesicular, como a febre aftosa. Além do mais, o adequado georreferenciamento é requisito indispensável aos serviços de vigilância e defesa sanitária animal, pois sem esta condição, não há possibilidade de se obter a condição de área livre de febre aftosa sem vacinação.

A Afisa-PR alerta que os serviços oficiais de trânsito de animais e seus produtos derivados e de vigilância e defesa sanitária animal do estado sofrem com a má gestão pública, situação que impede que o estado consiga a condição de área livre de febre aftosa sem vacinação.

 

Matérias vinculadas:

26-10-2018 - Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA) & Mapa aprova pedido do Paraná para antecipar retirada da vacinação contra aftosa [A primeira etapa que ocorrerá em maio do próximo ano, no entanto, ainda deverá ser feita em animais com até 24 meses de idade]

5-10-2018 - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) & Execução do programa de prevenção da aftosa está em dia e PR deve suspender vacina [Balanço foi feito nesta semana em Brasília. Retirada da campanha no estado deverá acontecer junto com Acre, Rondônia, parte do Amazonas e de Mato Grosso]

7-9-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: peste suína africana (PSA) fora de controle? [Com o aumento da velocidade da batalha global contra a PSA, setores da iniciativa privada vinculados aos negócios da agropecuária e os governos de passagem pelo poder não deveriam contar apenas com a sorte... & Opinion of Direx: African swine fever (PSA) out of control? - With the speeding up of the global battle against ASF, sectors of the private initiative linked to the agribusiness business and the governments of passage by the power shouldn't rely on luck...]

27-3-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: as promessas não cumpridas da "área livre de febre aftosa sem vacinação" [A Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) recomenda à próxima governadora do  Paraná a reavaliação dessa questão e não insista na permanência dos atuais comissionados de confiança do governo Richa vinculados às promessas não cumpridas da "área livre de febre aftosa sem vacinação" & Opinion of the Direx: the unfulfilled promise of "area free of foot-and-mouth disease without vaccination" & The Association of Inspectors of Agricultural and Livestock Defense  of Paraná (Afisa-PR) recommends that the next Governor of the State of Paraná to re-evaluate this issue, and did not insist on staying current on Government Trust commissioned shift linked to promise not fulfilled the "area free of FMD without vaccination"]

21-2-2018 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & MP-PR instaura inquérito civil para apurar suposto prejuízo ao erário [Os contêineres foram locados e destinados à "fiscalização" do trânsito de animais, vegetais e seus produtos derivados]

13-11-2017 - Governo do Paraná & Entidades aprovam que Paraná suspenda vacinação contra aftosa [Entidades como a Sociedade Rural, Sindicato Rural e Secretaria Municipal de Agricultura de Ponta Grossa manifestaram apoio integral ao movimento Paraná Livre de Febre Aftosa Sem Vacinação]

3-11-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Opinião da Direx: a "antecipação do fim da vacinação" contra febre aftosa [É o setor privado e as lideranças ruralistas que se impõem sobre uma questão legal/técnica da alçada exclusiva da fiscalização agropecuária pública? &Opinion of the Direx: the "anticipation of the end of the vaccination" against foot-and-mouth disease & Is the private sector and "ruralista" leaders imposes on a technicality/exclusive jurisdiction legal agricultural inspection of state?]

4-11-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & https://www.youtube.com/watch?v=b3ajjbF-dNs&t=141s

2-11-2017 - Contraponto & Briga de boi contra touro

23-10-2017 - Gazeta do Povo & Paraná vai insistir em antecipar o fim da vacinação contra febre aftosa [Em manifesto, mais de 200 entidades ligadas ao setor agropecuário alertam que o estado não pode esperar até 2023 para ser declarado área livre da doença, ausente de seu território há mais de dez anos]

2-7-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Paraná: área livre de febre aftosa sem vacinação; de 2014 para 2015 para 2017 para 2018... [A questão da área livre de febre aftosa sem vacinação é contaminada pela política partidária governamental]

29-6-2017 - Gazeta do Povo & Paraná vai anunciar fim da vacinação contra febre aftosa [O Paraná tem 9,3 milhões de cabeças de gado, pouco mais de 4% das 215 milhões existentes no país]

27-6-2017 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & MP-PR investiga a fiscalização do trânsito de animais, vegetais e seus produtos derivados ["A necessidade de investigar a ADAPAR"]

11-8-2015 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Afisa-PR informa à OIE precariedade na fiscalização do trânsito de animais no Paraná [Precariedade da fiscalização do trânsito de animais e seus produtos derivados do Paraná]

19-5-2015 - Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Estado do Paraná (Afisa-PR) & Diagnóstico da Afisa-PR sobre o monitoramento sorológico da febre aftosa nas áreas de fronteira do Paraná [O índice de imunização dos animais provenientes das regiões fronteiriças do Paraná caiu de 81% para 57,5%, enquanto que o índice no restante do seu território aumentou de 87,3% para 88,3%] & Diagnosis of Afisa-PR about serological monitoring of foot-and-mouth disease in the border areas of Paraná & The rate of immunization of animals from the border regions of Paraná decreased from 81% to 57.5%, while the rate in the rest of the territory increased from 87.3% to 88.3%

 

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